(Imagem ilustrativa/Pexels) A autoestima em nível adequado é combustível essencial à saúde mental. A baixa autoestima pode desaguar em depressão ou, tragicamente, em suicídio. É inegável a importância da autoimagem positiva para o desenvolvimento pessoal. Orgulho é outra coisa (ou, na expressão de minha mãe, outro ramal): traduz-se no dimensionamento – ou superdimensionamento – que se dá à autoimagem. Há mais de 30 anos, ouvi que não devemos sentir orgulho de atributos que não fizemos mínimo esforço para obtê-los. Internalizei isso. Nada de orgulho de eventual beleza, inteligência, patrimônio herdado ou qualquer outro traço característico, endógeno ou exógeno, “caído dos céus”. É igualmente sem sentido o orgulho de cor de pele, gênero ou preferências sexuais. “Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter”, disse Martin Luther King. Ele, negro, sonhava com o dia em que a cor da pele de alguém se tornaria irrelevante para sua reputação. E o orgulho se apresenta como a antítese da humildade. Se isso for verdade, não deveríamos sentir orgulho algum, de nada, em hipótese alguma. Não sejamos tão extremados. Não seria legítimo o orgulho que traduz conquista pessoal resultante de esforço, dedicação, disciplina, ou, na preocupação de Martin, das escolhas que culminam na formação do caráter de alguém? Quem, ao superar condições adversas, consegue se destacar tem motivos para sentir orgulho. Há alguns anos, um jovem morador de favela foi aprovado no concurso da magistratura em São Paulo. Em entrevista, contou que estudava durante a noite à luz de velas. O sobre-esforço é meritório, e a manifestação do orgulho pode ser o coroamento das vitórias pessoais – modestas ou expressivas, não importa. Nessa lógica, quanto mais difícil for a conquista, maior será a dose de orgulho. Em minha “tabela periódica do orgulho”, o elemento mais nobre é a ação de eliminar ou, ao menos, aliviar o sofrimento alheio. Não importam as circunstâncias do nascimento de alguém, motivos de orgulho na vida sempre serão fruto do desenvolvimento de atributos pessoais, sobretudo os que, direta ou indiretamente, impactam positivamente a vida de outros. O legítimo sentimento de orgulho somente pode florescer sob o escrutínio da superação individual. Afinal, orgulho que decorre de conquista sem prévio esforço que o legitime é como ganhar partida por W.O. *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel da PM, advogado e escritor