(Reprodução) Não nos falta informação. Nunca tivemos tanta. No entanto, em todo o mundo, as pessoas lutam para responder às perguntas mais simples. O que realmente aconteceu? Quem decidiu o quê? É verdade? Este é o paradoxo da nossa era. As sociedades mais conectadas da história também estão entre as mais vulneráveis à confusão, à manipulação e à desconfiança. A informação circula mais rápido do que a responsabilidade. Os algoritmos recompensam a indignação em detrimento da precisão. A inteligência artificial gera falsidades plausíveis em larga escala. Num ambiente como este, o direito de saber não é apenas uma questão de transparência; é a essência da liberdade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os danos causados pela desinfor-mação são reais. A Unesco estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de até US\$ 510 bilhões anualmente, por meio de respostas de saúde pública enfraquecidas, eleições distorcidas, atraso em ações climáticas, perdas financeiras, danos à reputação e erosão da confiança nas instituições. A desinformação, portanto, não é apenas um problema de comunicação. É um risco de governança, um passivo econômico e uma ameaça direta à capacidade das pessoas de tomar decisões informadas. As emissoras de serviço público e as organizações de mídia independentes são um contrapeso fundamental para esse problema. Seu mandato não é buscar engajamento a qualquer custo, mas informar e servir a todos os públicos. No entanto, elas enfrentam as pressões simultâneas de públicos fragmentados, declínio da confiança, interferência política, restrições financeiras, dependência de plataformas e conteúdo falso, sintético e manipulado desenfreado. Sua luta para continuar produzindo jornalismo de qualidade não é uma preocupação setorial, mas sim democrática. No Dia Mundial do Jornalismo, o desafio é prático e apelamos a todos os atores para que os governos apliquem as leis de acesso à informação e protejam a supervisão independente, as plataformas de tecnologia assumam a responsabilidade pelos espaços de informação que criam, em consonância com o direito internacional dos direitos humanos, e as organizações de comunicação social optem pelo rigor em vez do alcance. A informação fiável e de livre acesso é um benefício partilhado. Mas depende de autoridades que protejam o acesso à informação, de jornalistas que procurem a verdade acima de tudo e do direito dos cidadãos aos fatos. O dividendo da integridade é real, mas só é alcançado quando todos nós fazemos a nossa parte. David Walmsley. Presidente do Fórum Mundial de Editores e editor-chefe do Globe and Mail, do Canadá. Mariya Gabriel. Diretora-geral adjunta de Comunicação e Informação da Unesco. Liz Corbin. Diretora de Notícias da União Europeia de Radiodifusão.