<p data-end="639" data-start="161">A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e a flexibi-lização de escalas como a 6x1 vem ganhando espaço no Brasil e no mundo, trazendo reflexões importantes para diversos setores da economia e o turismo está entre eles. Hotéis, restaurantes, agências, parques, transportes turísticos, eventos e atrações culturais dependem de equipes que atuam justamente nos horários em que a maioria das pessoas está descansando: fins de semana, feriados e períodos de alta temporada.</p> <p data-end="978" data-start="641">A proposta de jornadas mais equilibradas surge de uma necessidade real: melhorar a qualidade de vida, preservar a saúde física e mental dos profissionais e tornar o mercado mais humano e sustentável. No turismo e na hotelaria, setores historicamente marcados por longas jornadas e alta pressão, essa discussão é cada vez mais necessária.</p> <p data-end="1386" data-start="980">Por outro lado, a mudança traz desafios. Muitas empresas já enfrentam dificuldades para contratar e manter mão de obra qualificada. A redução das escalas pode aumentar custos operacionais, exigir novas contratações e impactar especialmente pequenos negócios, que trabalham com equipes reduzidas e margens apertadas. Soma-se a isso a sazonalidade, que exige reforço das equipes em períodos de maior demanda.</p> <p data-end="1620" data-start="1388">Talvez a questão principal não seja apenas como reduzir a jornada, mas como transformar a forma de trabalhar no turismo. O setor precisará encontrar um equilíbrio entre produtividade, qualidade de vida e sustentabilidade financeira.</p> <p data-end="1977" data-start="1622">O turismo vive uma transformação global. O turista mudou, o mercado mudou e os profissionais também. As novas gerações valorizam equilíbrio, propósito, flexibilidade e qualidade de vida quase tanto quanto a remuneração. Empresas que insistirem em modelos excessivamente rígidos poderão enfrentar dificuldades cada vez maiores para atrair e reter talentos.</p> <p data-end="2304" data-start="1979">Entre as tendências que apontam para esse novo cenário estão as escalas mais inteligentes e personalizadas, o trabalho híbrido em áreas administrativas, comerciais e de marketing, a formação de profissionais multifuncionais e a automação de processos como reservas, check-in digital e atendimento por inteligência artificial.</p> <p data-end="2763" data-start="2306">Há ainda um fator decisivo: o capital humano continuará sendo o maior diferencial do turismo. A tecnologia pode automatizar processos e aumentar a eficiência, mas acolhimento, hospitalidade, empatia e emoção permanecem essencialmente humanos. Talvez o futuro do turismo esteja justamente na combinação entre tecnologia e humanidade, com menos desgaste operacional, mais propósito e experiências mais memoráveis para quem viaja e para quem trabalha no setor.</p> <p data-end="2846" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2765">*Selma Cabral. Turismóloga e especialista em Planejamento Estratégico do Turismo.</p>