Imagem ilustrativa (Freepik) Há anos escrevo sobre as mazelas da Educação brasileira. Acredito na Educação como a ferramenta mais poderosa de transformação. No entanto, os dados do Censo Escolar acenderam um alerta. Entre 2024 e 2025, o país registrou quase 1 milhão de matrículas a menos na Educação Básica, uma redução de 2,3% no total de estudantes. Dentre os estados, São Paulo lidera essa retração, com 13,6% a menos de matriculados. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), avaliando as condições de oferta e atendimento do sistema educacional brasileiro. Chama a atenção a queda de mais de 400 mil matrículas no Ensino Médio - movimentação decrescente que impactou o total de estudantes no País. O Ministério da Educação atribuiu a fenômenos como a queda na natalidade. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, a população de até 19 anos passou de 62.923.166 pessoas em 2010 para 54.505.203 pessoas em 2022, uma redução de 13,4% no período. Outras explicações são a diminuição na distorção idade-série e uma menor retenção na Educação Básica, com menos reprovações. Podemos refletir se a evasão escolar também explicaria essa redução. Não podemos ignorá-la. Cresce a preocupação com a capacidade e a qualidade do sistema educacional, para garantir o acesso, a permanência dos estudantes, com qualidade, pertencimento e aprendizagem. Por outro lado, o Censo Escolar revelou aumento das matrículas no Ensino em Tempo Integral, no qual os alunos ficam em média 7h por dia ou 35h semanais no ambiente escolar, ampliando as possibilidades de aprendizagem. Outra modalidade que cresceu foi o Ensino Técnico Profissionalizante, que prepara os jovens para o mercado de trabalho, integrado ao novo Ensino Médio. Mais do que abrir os portões, as escolas precisam assumir seu papel instigador, fomentador do pensamento crítico-reflexivo. Que escola estamos oferecendo às nossas crianças e jovens? O ambiente escolar deve ser um espaço acolhedor, agregador, dinâmico, transformador, de socialização, aprendizagem e de desenvolvimento para a vida. Este cenário apresentado pelo Censo Escolar relembra o que muitos educadores e estudiosos vêm alertando há mais de uma década: a necessidade urgente do País abandonar as bandeiras partidárias e levantar a bandeira da Educação. Só assim teremos uma nação forte e libertadora. *Priscilla Bonini Ribeiro. Educadora, doutora em Tecnologia Ambiental, mestre em Educação, diretora-geral da Unaerp Guarujá, conselheira da Fundação Fernando Eduardo Lee, pesquisadora da Ilha dos Arvoredos, vice-presidente do Semesp, escritora, palestrante e consultora