(Gerado por IA) Cheguei à idade que muitos denominam de “terceira” e outros, de “melhor”! Eu me enquadro nessa posição. Tenho mais de 65 anos. Estou na “melhor idade”! Conversando com um senhor, mencionei o fato de estarmos nesse grupo tão “seleto” de pessoas, que alcançaram privilégios. Ele me olhou sério e, em seguida, perguntou: “Melhor em quê? Em mais dores, menor agilidade para andar, com mais riscos de ter quedas?” Fiquei quieto e ele também resolveu não continuar com o rol de lamentações. Realmente, não lhe tirei as razões das queixas. Eu mesmo tive uma queda, precisei restaurar o braço direito e ainda não recuperei os movimentos desejados. Gosto muito de conversar com jovens. Com eles posso compartilhar coisas boas, ensinar e também aprender. Numa dessas conversas, falávamos do tempo que passa depressa e das mudanças ocorridas com o transcorrer dos anos. Eu, já idoso e rodeado de jovens, sentia-me o avô deles, a falar e a também ouvir. Os olhos vivos e os sorrisos, além da vivacidade com a qual tratávamos os assuntos, causavam-me um ótimo rejuvenescimento. “Fingia” que era da idade deles. Um dos jovens levantou a mão para falar, enquanto eu ponderava sobre o presente, passado e futuro e tudo que já ocorreu e irá acontecer mais adiante. Olhou-me, enquanto eu discorria sobre a necessidade do respeito, da convivência e de tantos outros assuntos relacionados, e falou: “Professor, mas isso tudo são coisas do seu tempo. Hoje a tecnologia revolucionou nossas vidas”. Sem pensar muito eu respondi: “Meu filho, o meu tempo é hoje! Estou lúcido! Quem dera você, no futuro, possa estar assim como eu, na minha idade”. Alguns segundos de silêncio. Em seguida, todos nós rimos ao mesmo tempo, inclusive o jovem que ficara encabulado, pois pensara ter me ofendido. Remediei e disse que, embora estivesse bem, jamais poderia, fisicamente, competir com eles e que teria dito algo sensato, mas, para eles, pouco conveniente. Imediatamente pedi desculpas. Uma das garotas resolveu levantar e solicitou: “Podemos todos ficar de pé? Vou pedir um abraço geral, do grupo. Não importa que idade temos agora ou teremos daqui alguns anos. O mais formidável é que estamos juntos e quantas saudades sentiremos desses e de tantos outros momentos aqui vivenciados”. O abraço foi contagiante e nos emocionou. Aquele foi um dia interessante na minha convivência interativa com esses jovens. Tenho certeza de que o tempo passará e todos estarão no meu lugar um dia, certamente relembrando todas as experiências adquiridas nesses importantes encontros e em tantos outros instantes de suas vidas. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, escritor, membro da Academia Santista de Letras e presidente da Contemporânea Projetos Culturais