[[legacy_image_311987]] Todos nós vivemos, convivemos com contradições que agridem nossa razão em variados graus. Algumas trazem impactos apenas a nós mesmos, portanto, presumidamente toleráveis socialmente. Buscar uma vida saudável, frequentar academia, fazer dieta, mas fumar cigarros eletrônicos é um triste exemplo de contradição tolerável. A cada manhã, o espelho nos relembra a distância entre o que acreditamos ser correto e a forma como efetivamente agimos. Há maior ou menor desconforto conforme o maior ou menor distanciamento entre o que julgamos adequado e nossas ações. As contradições passam a se tornar motivo de preocupação quando trazem impactos àqueles que nos cercam ou a toda a sociedade: cuidar de idosos em asilos, mas abandonar os próprios pais; ser contra a pena de morte para criminosos hediondos, mas, sem qualquer constrangimento, defender o aborto; mostrar-se indignado com a violência promovida pelo crime organizado, mas, para “socializar com amigos”, sem remorso algum, consumir drogas em jantares e em raves aos finais de semana; e, até, agir em favor de animais maltratados e abandonados, mas utilizar maquiagem produzida às custas do sofrimento de tantos outros animais em experimentos cosméticos. Há contradições mais aviltantes: ser autoproclamado democrata, mas entender legítima a monstruosidade do Hamas praticada contra a população israelense, incluindo bebês. Aqui, há partidos políticos (insisto em me recusar a dar publicidade a nomes que oferecem desserviço à Humanidade – o que também se aplica a pessoas jurídicas) que, há poucos dias, demonstraram explícito apoio aos atos terroristas do Hamas em território israelense. Curioso é saber que tais partidos democratas(?), portanto, presumidamente, que creem na coexistência pacífica com pessoas de opiniões divergentes, apoiam o Hamas – que prega a inegociável aniquilação de Israel. As contradições não param por aí: dizem defender direitos iguais entre gêneros, mas apoiam o grupo terrorista que trata as mulheres como pessoas com direitos extremamente limitados. E dizem lutar pelos direitos de pessoas LGBTQIAPN+ (essa sigla nunca vai parar de crescer?), mas apoiam a organização terrorista que defende a prisão ou pena de morte para essas pessoas. Há alguns anos, a então presidente do País sugeriu à comunidade internacional que conversasse com o Estado Islâmico. A solução encontrada foi outra: uma guerra que levou aquele grupo terrorista ao ostracismo. Novo problema, velha proposta: o atual presidente apresentou a mesma sugestão de “sentar à mesa com o Hamas”. Não se deve permitir que, em pretenso respeito à liberdade de expressão, sejam propalados e defendidos ideais nazistas, certo caro leitor? O Hamas, assim como o nazismo, tem como ideal a eliminação dos judeus, sem qualquer possibilidade de coexistência pacífica. Como tolerar a existência de grupo (notadamente terrorista) que tem como objetivo a extinção de um povo? Os atos terroristas do Hamas trazem novamente à tona um dos questionamentos mais intrigantes desse obscuro primeiro quarto de século: deve haver tolerância com a intolerância? Creio que não.