(Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) Como já assistimos esse filme no passado, a tragédia das enchentes não pode ser deixada para trás. Se no início todos ficamos sensibilizados, assustados e envolvidos com o drama, fazendo doações e torcendo para a situação se normalizar, a tendência com o tempo é mudar de canal e tentar fechar olhos e ouvidos para a cruel realidade. Só que os tempos são outros. Os sinais de alerta há muito detectados, agora se ampliaram, e muito. Os impactos das mudanças climáticas estão perto de todos nós. Pesquisa recente feita pela Organização Meteorológica Mundial mostrou que nível do mar está subindo mais do que o dobro do ritmo registrado na primeira década de medições, entre 1993 e 2002, e atingiu um novo recorde no ano passado. O estudo norte-americano da revista Environmental Research Letters indicou que a cidade de Santos está entre as dez cidades brasileiras com mais risco de afundar e pode ser totalmente invadida pelo mar nos próximos anos por conta do aumento do nível dos oceanos. Fantasia? Será? Podemos garantir que as barreiras de contenção para reduzir os efeitos das ressacas são suficientes? A cidade tem companhia nesse desafio, divulgado pelo Governo Federal: 1.942 municípios brasileiros - quase 35% das cidades do País - estão suscetíveis a desastres causados por eventos climáticos extremos, como deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações. Pesquisa desenvolvida na Escola Politécnica da USP usou a cidade de Santos, com marés de tempestades frequentes, como teste para a previsão de eventos extremos e preparação e proteção de regiões vulneráveis. Os pesquisadores desenvolveram um modelo baseado em duas fontes de informação: modelos físicos como ponto de partida e dados medidos. É um bom começo, mas a natureza irregular dos dados mostra que ainda faltam elementos para afirmar que o mecanismo de previsão das marés de tempestade serão confiáveis. Entre as secas na Amazônia e as chuvas intensas no Sul há uma realidade que não pode esperar. As cidades precisam se antecipar aos eventos climáticos e todos os níveis de governos devem atuar com integração para fazer sua parte. Isso envolve infraestrutura, sistemas de alerta precoce, a melhoria da eficiência energética, redução das fontes geradoras de poluição, o engajamento e a educação das comunidades. A crise ecológica global sem precedentes e a educação ambiental são pautas urgentes para todos. Questões como a perda de habitats, o acúmulo de plásticos no oceano, a perda de biomas, crise hídrica e o aquecimento global ameaçam a própria sobrevivência do Planeta. O que temos para celebrar hoje, no Dia do Meio Ambiente? Se o presente está difícil, também não podemos desanimar. A Praticagem de São Paulo e tantas outras empresas da nossa região têm feito sua parte, com programas de sustentabilidade e iniciativas eficientes para mitigar os danos, gerar economia de água e eletricidade. Sabemos que não basta. Há um outro longo caminho a percorrer! Nossas crianças são espectadoras silenciosas dessas tragédias e precisam ser treinadas para assumir papel de protagonistas e agentes de transformação na luta para encontrar a harmonia entre a natureza e os seres humanos. Elas viverão o futuro e é por elas, nossos filhos e netos, que não podemos mais fechar os olhos para o que não é normal e nunca será. *Bruno Tavares. Vice-presidente da Praticagem de São Paulo