<p class="p-smartimagebox"><img attr-cid="policy:1.527852" attr-version="policy:1.527852:1788219025" class="p-smartimage" src="/image/policy:1.527852/Modelo Canva - Polopoly (1).jpg?f=3x2&w=400&q=0.3" /><br /> <span class="p-smartcaption">(Imagem ilustrativa/Magnific)</span></p> <p data-path-to-node="3">O Brasil ocupa a 5ª posição no ranking mundial de desigualdade social. Esse dado revela uma realidade dura: apesar de o país ter um poder de compra total expressivo e gerar novos milionários constantemente, a distribuição de riqueza segue profundamente injusta, com 69% dos adultos brasileiros possuindo patrimônio abaixo de US\$ 10 mil.</p> <p data-path-to-node="4">Os 10% mais ricos do país detêm 59,1% de toda a renda nacional, enquanto os 50% mais pobres ficam com apenas 9,3%. Já no ranking de desigualdade de patrimônio (que envolve imóveis, ativos financeiros e outros bens), o Brasil figura na 6ª posição global, sendo que os 10% mais ricos concentram cerca de 70% do total. Que caminhos existem para reverter esse quadro?</p> <p data-path-to-node="5">As políticas de transferência de renda e a valorização do salário mínimo aparecem como medidas urgentes. Programas como o Bolsa Família são reconhecidos por seu papel no alívio imediato da pobreza e no combate à fome, beneficiando diretamente as camadas mais vulneráveis. Além disso, recompor anualmente o salário mínimo acima da inflação mostra-se eficaz para elevar a renda da base da pirâmide. São dois pontos, porém, que ex-executivos, consultores e economistas relutam em endossar.</p> <p data-path-to-node="6">É imprescindível, também, o investimento contínuo em saúde, educação e infraestrutura — saneamento básico e moradia —, com planejamento de longo prazo para romper o ciclo de pobreza que se reproduz entre gerações. As projeções do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027, instituído pela Lei 14.802/2024, indicam melhora contínua dos indicadores sociais. A reforma tributária, debatida por mais de três décadas, enfim ganhou contornos concretos com a promulgação da Emenda Constitucional 132, em dezembro de 2023, dando início à sua gradual implementação, trazendo a figura do cashback de impostos e da cesta básica nacional para os menos favorecidos.</p> <p data-path-to-node="7">A desigualdade, ademais, possui recorte geográfico evidente. Daí a necessidade de articulação entre União, estados e municípios, com políticas sensíveis às realidades regionais e capazes de impulsionar o desenvolvimento das áreas mais defasadas, como Norte e Nordeste. Em síntese, não há solução mágica. O enfrentamento exige um conjunto integrado de políticas que amenizem o sofrimento atual, invistam no futuro e, simultaneamente, alterem as regras econômicas que cristalizam a concentração de renda.</p> <p data-path-to-node="8">*Marcus Aurelio de Carvalho. Advogado e portuário aposentado</p>