Imagem ilustrativa (FreePik) Não, não se trata de texto com dicas sobre autoajuda. Trata-se, sim, de espécie de grito de alerta. Em recente crônica, expus, mais uma vez, a insegurança que ronda toda a sociedade, inclusive policiais. É provável que ainda nem houve tempo para metabolizar aquelas indigestas linhas, e os fatos se repetem. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há poucas semanas, criminosos fuzilaram Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, que atuava como secretário de Administração em Praia Grande. Como delegado, atuou no enfrentamento ao PCC e em busca da segregação de suas lideranças. O homicídio contra o ex-delegado geral demonstra a ousadia e o deboche do crime organizado diante do Estado pseudo-organizado. É estarrecedor constatar que a República Federativa de Pindorama não é capaz de cumprir promessa basilar, algo que justifica o surgimento de qualquer Estado: segurança universalizada em níveis civilizatórios. Em infeliz pronunciamento, o ministro da Justiça e Segurança Pública amenizou a barbárie declarando que essa violência também é verificada em outros países. A quais países se referia? Não me ocorre outro Estado no mundo (ao menos, entre os quais possamos nos espelhar) que possua índices criminais medievais semelhantes aos nossos. É bom lembrar que o ministro está à frente da PEC da Segurança Pública, que, a menos que seja enxertada por inspiradas emendas ao texto original, nada trará de relevante ao sistema de segurança pública. O principal e condenável objetivo da PEC é concentrar nas mãos da União poder sobre a política de segurança, modelo que vem se mostrando catastrófico, por exemplo, no México. Recentemente, o mesmo ministro comemorou o índice de 50% de criminosos colocados em liberdade nas audiências de custódia. A quem esses números agradam? Mas PEC e interesses abjetos de governos da vez devem ser assunto aprofundado em outra ocasião. Criminosos são pragmáticos em suas ações, avaliam riscos antes de agir: são levados a crer que serão detidos, condenados e mantidos encarcerados? Os índices de prisões e condenações não são preocupantes, mas o queijo suíço da legislação permite que criminosos desfrutem de liberdade. A resposta ao título dessa crônica: o caminho transformador que ainda nos resta é o aprimoramento do voto. Necessitamos de deputados e senadores que se ocupem mais com legislar no interesse da sociedade e menos com produção de vídeos para as redes sociais. Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel PM, advogado e escritor