(Pixabay) Cá entre nós, quem nunca caiu na tentação de usar o comportamento de um amigo, parente ou conhecido para fazer uma generalização sobre toda uma população? É quase um esporte nacional ou até internacional! Mas aí está o problema: a amostra! Por exemplo, eu tenho uns amigos franceses que não gostam de cerveja, só de vinho. Conclusão: na França as pessoas não gostam de cerveja. Mais clichê, impossível! Aí eu converso com um alemão em São Paulo, e ele foi rude comigo. Pronto! Os alemães são rudes. Ah, e aquele grupo de tailandeses que conheci, tão tranquilos, pouco materialistas, adoram meditar. É claro que na Tailândia todo mundo é assim, certo? É claro que nós, brasileiros, não escapamos dessas generalizações. Quando estrangeiros conhecem um ou dois brasileiros pelo mundo afora ou assistem a reportagens sobre o Brasil, lá vem o rótulo: todo brasileiro é malandro, odeia o frio, adora o Carnaval e joga futebol. Como se fôssemos todos moldados na mesma fórmula tropical! A gente esquece que, apesar das características culturais que podem diferenciar os povos, cada indivíduo tem sua própria personalidade, temperamento e comportamento. Nem todos os franceses gostam só de vinho, nem todos os alemães são rudes, nem todos os tailandeses meditam. E, claro, nem todos os brasileiros são malandros, amam calor, curtem carnaval e jogam futebol. Claro que não podemos nos esquecer de mais uma questão: a diversidade! Nela, o nosso Brasil é um exemplo à parte. Com dimensões continentais maiores que a Europa inteira, temos uma imensidão de regionalismos e culturas diferentes dentro do mesmo país. É uma bagunça bonita de ver, mas às vezes confusa de entender. No entanto, de repente a coisa toda muda, quando falamos de pesquisas, (principalmente das eleitorais). Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “Eu nunca fui abordado por um Instituto de pesquisas, então não acredito em pesquisas?” Parece que a pesquisa feita na base do “eu e meus amigos” é mais confiável do que aquela com critérios técnicos, como definição de tamanho de amostra, estratificação por classe, idade e gênero. Vai entender! Mas não me entenda mal. Não estou aqui para defender este ou aquele instituto de pesquisa. A questão é: não dá para generalizar comportamentos, preferências ou tendências com base na opinião de uma roda de amigos ou conhecidos. Porque, no fim das contas, o problema é sempre a amostra! *Engenheiro, ex-executivo e consultor