(Divulgação) Tive a honra de ser sócio do Washington Olivetto. Formamos a Popcom, a segunda maior agência digital do Brasil para campanhas inovadoras em internet. Era uma tecnologia criativa ainda em desenvolvimento. Onde sabíamos que nosso trabalho de comunicação, antes de mais nada, precisaria ser feito com amor, ética e responsabilidade. Talvez esse seja um dos trabalhos mais difíceis, porém, mais prazerosos. Para nós, essa preocupação não existia. Pois, a ética e a honestidade intelectual estavam em toda a linha de criação do Washington. Ele era assim, corajoso, insolente, provocativo, irreverente com genialidade natural em tudo o que pensava. Mas sempre com profundo respeito por todos em suas criações. Tal qual Pelé, jogou no lixo nosso complexo de vira latas e nos fez sentir orgulho de sermos brasileiros. Suas ideias, comerciais memoráveis, personagens e campanhas geniais colocaram nosso país no topo da publicidade mundial. Foram incontáveis indicações e prêmios no Festival de Publicidade de Cannes. Os filmes “O primeiro sutiã” e “Hitler”, este último para um grande veículo de comunicação, estão entre os melhores filmes da história da publicidade mundial. Mas, seu talento não era só genialidade, técnica e competência. Era sensibilidade, compreensão e consciência. Sua criatividade nos fez sentir orgulho de sermos humanos. Suas mais de 400 peças para o Garoto da Bombril e suas mil e uma utilidades falavam diretamente com as mães do Brasil. Para mim, o comercial Hitler afirmava: dá para contar muitas mentiras dizendo somente a verdade. Isso foi uma aula de Filosofia, Sociologia, História e Propaganda, tudo ao mesmo tempo. Espero que esse sentimento volte a ficar aceso nas consciências de todos os brasileiros. Sua criatividade e inteligência eram contagiantes. Ninguém precisava explicar, o público era tocado e compreendia sua mensagem, por mais diferenciada que fosse. Não tinha medo de arriscar. Respeitava a todos, mas acima de tudo, respeitava a inteligência de todos. Talvez uma de suas maiores virtudes e qualidades tenha sido a honestidade intelectual ímpar, impagável, impecável e irrepreensível. Aliás, com certeza, foi por isso que não fez campanhas políticas. Como vender um produto que o cliente não poderia devolver depois? Como vender algo que não se acredita? Torcedor apaixonado por futebol e por seu time do coração, contribuiu para trazer o Brasil à democracia. Com sua Democracia Corinthiana, traduziu ao povão o que os comícios da Sé traduziram mais tarde na Constituição de 1988 e eleições diretas em 1989. Ímpar, Washington gostava de contar histórias. No domingo, você decidiu criar em outra dimensão, deixando a todos incrédulos, entendendo o quanto a vida pode ser breve, efêmera e ao mesmo tempo gigante e rica quando se sabe ser vivida. Fica aqui minha gratidão por você iluminar muitas vezes o consciente e o inconsciente coletivo dos brasileiros com um sorriso inteligente. Tenho uma certeza, o primeiro publicitário que nos ensinou a fazer graça sem precisar fazer piada a gente nunca esquecerá. Vá com toda a luz que você merece. *Publicitário e PhD em Comunicação e Semiótica