[[legacy_image_273126]] O Brasil elegeu Lula, com o meu voto e a minha militância, inclusive. Mas muitos votaram nele em um contexto crítico e para reverter a catástrofe do desgoverno anterior. E isso é relevante. Não que o governo deva ser pautado por essa questão, mas, minimamente, precisa considerá-la. E o que percebo é que está faltando um amigo ao presidente Lula. Daqueles que dizem: “tem certeza? Não quer reavaliar isso? Já pensou nas consequências?” Para além de ser um mundo totalmente diferente nesses 20 anos que se passaram, está claro que nos governos anteriores dele havia mais conteúdo e reflexão. Sinto falta desses velhos conselheiros. O governo atual, novamente, para além da complexidade política, parece-me vacilante onde não poderia. A comunicação é uma lástima, analógica no mundo do metaverso e da Inteligência Artificial. Um exemplo dessa inabilidade é o Power Point do deputado (corretamente) cassado Deltan Dallagnol, logo após sua cassação. A piada seria boa, mas se feita por um governo, jamais! Governos têm liturgia, representatividade, postura. Faltou tudo isso. Áreas técnicas e ministérios têm lideranças inexperientes ou que se firmaram por meio de redes sociais, lacrando. A montagem do governo por conta disso teve idas e vindas desgastantes e que expuseram, injustamente, quadros técnicos brilhantes. Pessoas ponderadas, extremamente sérias, leais e hábeis, como o ministro Fernando Haddad, deveriam ser a regra e não a triste exceção. Cargos chave até são preenchidos por competentes e leais aliados, mas aos quais faltam inteligência emocional, gingado político para o diálogo necessário. No campo da política externa, o governo escorrega nas cascas de banana jogadas no caminho. Que se mantenham vínculos afetivos, ideológicos. Que se autoafirme a soberania do Brasil e dos países emergentes, mas... dizer, desdizer, desgastar...fica chato. É ruim. E esses pequenos grandes deslizes fecham portas com uma sociedade ainda dividida e dificultam avanços com um Congresso Nacional dos piores, talvez o pior, já eleito. Onde estavam os velhos conselheiros para dizer “presidente, o que o senhor falar vai imediatamente para as redes sociais. Não dá mais para falar de improviso, cada palavra tem que ser medida”. O governo mal começou, são pouco mais de cinco meses após um desgoverno que nos deixou mal em todas as frentes possíveis. Sem falar no inacreditável 8 de janeiro. Também já temos muito que foi resgatado e está bem encaminhado. Portanto, há tempo de reequilibrar e retomar o rumo necessário para termos um país mais equilibrado e que avance de forma consistente e sustentável, além de blindado aos efeitos de aventureiros políticos. Não há dessa forma espaço para o pessimismo. Mas, precisamos arrumar a casa da comunicação, áreas técnicas essenciais e, sobretudo, presidente, há que se buscar um grupo de melhores conselheiros. Lacração e improviso nem nas redes sociais fica bem. Torço muito pelo seu sucesso e seguirei trabalhando por ele, mas faz parte disso fazer uma crítica construtiva. Boa sorte!