(Imagem ilustrativa gerada por IA) Sigo caminhando, contemplando a paisagem urbana e percebendo os detalhes ao meu redor. O canto dos pássaros chega aos meus ouvidos como uma música leve. As ruas, bem conservadas, parecem tapetes lisos por onde deslizam os veículos elétricos, quase sem ruído. Não há bitucas nem embalagens no chão: todos descartam o lixo corretamente. A sinalização é clara e bem posicionada. Pedestres aguardam, com paciência, o semáforo e atravessam na faixa, respeitados por motos e carros. Aguardo o ônibus com calma e segurança. Ao meu lado, um jovem digita no notebook, alheio ao tempo que passa. O veículo chega pontualmente, com assentos confortáveis. Passageiros leem livros ou usam fones de ouvido; predomina um silêncio sereno. Sento-me e abro o jornal: “Brasil entre os primeiros no teste internacional Pisa”. Os alunos tiveram bons resultados em português e matemática. Uma menina diz à mãe: “Mamãe, adorei as professoras de Inglês e Francês”. Sorrio por dentro e penso: que orgulho da nossa educação pública. As crianças saem da escola conhecendo outras línguas, outros mundos. Desço perto de uma escola. Crianças e adolescentes chegam tranquilos, sozinhos ou acompanhados por um adulto. A criminalidade é quase nula, capaz de despertar inveja em países europeus. Cidadania e respeito às diferenças sustentam a prosperidade. O Dia dos Professores é feriado nacional. A profissão docente é valorizada, respeitada, desejada. Muitos jovens sonham em construir suas vidas dentro da sala de aula. Nas universidades públicas, há mais oferta de vagas do que demanda de alunos. O analfabetismo é zero. No escritório, lembro que meus pais pediram ajuda para agendar uma consulta. Pelo aplicativo da saúde pública, em poucos minutos, marco atendimento com o geriatra e exames para a semana seguinte. A confirmação chega por e-mail, com dia, horário e local. Tenho orgulho de ser brasileiro. Os impostos pagos pela população retornam em serviços públicos de excelente qualidade, e o Brasil está entre os países com menor índice de corrupção. Então, o país perfeito começa a se desfazer. O canto dos pássaros se mistura a um ruído distante; as ruas perdem nitidez e o jornal escorrega das minhas mãos. Uma voz me chama de volta. Sinto uma mão no ombro e desperto assustado: “O que foi?”. Ouço a resposta: “Você chegou cansado e dormiu na poltrona. Estava dormindo e sorrindo”. Ainda entre o sonho e a vigília, sorrio: “É que eu estava vivendo, em sonho, o Brasil que sempre imaginei”. *Sergio Rezende Peres. Cronista e contista