[[legacy_image_289498]] A reedição do Programa de Aceleração do Crescimento, o velho PAC, agora com uma harmonização facial e o nome de PAC 3, foi lançada dias atrás com pompa e circunstância pelo presidente Lula. Um exemplo claro de que temos um governo novo, mas obcecado por ideias e programas antigos. Programas que, comprovadamente, não deram certo, ou entraram para o rol das obras e ações inacabadas, polêmicas, e sob suspeita de irregularidades e corrupção. Usina de Belo Monte, Transposição do São Francisco, Ferrovia Norte-Sul, Comperj 1 e 2 são nomes de algumas obras do PAC que, pela morosidade ou pela falta de transparência no uso dos recursos, há anos ocupam de forma negativa as manchetes. Aliás, foi só o governo anunciar que a Petrobrás tem 47 projetos no Plano de Aceleração do Crescimento que as ações da empresa despencaram, o que levou investidores a se desfazerem dos papéis da estatal, derrubando também a Bolsa de Valores. O susto foi tão grande que, nesta semana, a Petrobrás correu para aumentar o preço da gasolina em R\$ 0,41 e do diesel em R\$ 0,78! O aumento teve o aval do governo e o mercado se acalmou, para o desespero da população. Voltando ao PAC 3: o Governo Federal anunciou que pretende ressuscitar obras como Angra 3 e a Refinaria Abreu e Lima, símbolo da corrupção nas gestões petistas. Isso é muito preocupante, uma vez que foi divulgado que o novo PAC vai investir R\$ 1,7 trilhão em todos os estados do Brasil! Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan alertou sobre os problemas da reedição do PAC, com seu ideário estatizante, gastos estratosféricos, muitas vezes sem controle ou lógica. Malan foi além e advertiu do perigo das ações do PAC serem utilizadas “como instrumento de retórica nas campanhas eleitorais que se avizinham”. Como todos nós sabemos, essa é uma das especialidades do PT. Vou dar um exemplo: em 2014, a então presidente Dilma Rousseff, "a mãe do PAC", realizou um grande evento com a classe política da Baixada Santista para anunciar a obra do túnel da Zona Noroeste, ligando as cidades de Santos e São Vicente. No Teatro Coliseu, no Centro de Santos, lotado, ouvimos o anúncio das futuras obras do PAC 2 na região. Assistimos a promessas da Dilma, elogios do então governador Geraldo Alckmin e discursos emocionados dos prefeitos locais. No calor do momento, falaram de teleférico nos morros de Santos e recursos para drenagem das enchentes na região. Como todo mundo sabe, não teve túnel nem teleférico. Dos recursos da drenagem, até hoje não temos informações detalhadas sobre a destinação correta. Toda essas ações previstas no PAC 2 entraram para o anedotário urbano das obras que nunca saíram do papel. E com essa preocupação é que vamos acompanhar as ações do PAC 3. Entre elas, a ligação seca Santos-Guarujá, que, no formato de túnel, foi incluída na relação das obras pretendidas pelo Governo Federal. O túnel é uma obra absolutamente necessária, apesar de não termos clareza sobre como isso será feito, nem de onde virão os recursos. Nesse caso, estaremos atentos e fiscalizando, pois o País e nossa região precisam se desenvolver, gerar empregos e caminhar para o futuro. Porém, que isso seja feito sem desmandos, corrupção e desvio de recursos públicos. Estamos de olho para que isso não volte a acontecer.