(Unsplash) Tomamos a liberdade de titular este ensaio com uma frase emblemática do crítico literário Alceu Amoroso Lima (1893-1983), imortalizado pela Academia Brasileira de Letras com o pseudônimo de Tristão de Ataíde, quarto ocupante da Cadeira nº 40, cujo patrono é o Visconde do Rio Branco (1818-1880). A unidade territorial do Brasil começou assim, ao quase assim, com os navegantes e exploradores do “velho mundo” ousando realizar uma fantástica exploração de novas terras habitadas por aborígenes, trazendo-lhes novos conhecimentos, novos costumes, novas crenças religiosas e novas línguas – português, espanhol, inglês, francês e holandês –, tudo em troca de uma exploração comercial, catequizadora e, muitas vezes, exercidas de forma violenta. Certa vez alguém nos disse, de forma espirituosa, mas com algumas verdades, que durante o longo período colonial do Brasil os portugueses nos deixaram buracos em Minas Gerais, igrejas suntuosas em Portugal e canhões vindo da Inglaterra, estes servindo como lastros para estabilizar os navios que chegavam vazios em busca de novas riquezas, em especial o ouro das “Minas Gerais”. Para indicar a presença de uma nova autoridade, eles, os portugueses e gente da terra, construíram câmaras, cadeias e inúmeras fortificações coloniais que sobrevivem até hoje ao longo do vasto perímetro do Brasil, materializando a nossa história. Elas, as fortificações coloniais, desde 1964 são consideradas patrimônio histórico nacional, e agora estão sendo indicadas para ascenderem à patrimônio mundial, por proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em linguagem simples e coloquial, procuramos desenvolver este tema histórico no website de domínio público que se abre com o sobrenome - www.secomandi.com.br – tendo como propósito maior alavancar o interesse dos mais jovens pelos estudos sobre a arquitetura militar edificada durante o longo período colonial do Brasil. Procuramos, assim, alcançar “pessoas que se reúnem para construir e dividir novos conhecimentos, investigar para conhecer melhor, entender e transformar a realidade que nos cerca” (Iphan). Esperamos que vocês (leitoras, leitores) que nos honram com a leitura deste texto acadêmico nos ajudem a divulgar esta abordagem histórica pouco conhecida, mas que julgamos relevante para a compreensão da unidade territorial do Brasil, descrita por Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) como sendo “o maior assombro da nossa história”. *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e da Academia Santista de Letras