(Pixabay) Segundo Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), o maior assombro da nossa História é a “unidade nacional”, construída a partir de atos heroicos realizados por navegantes singrando mares nunca dantes navegados e bandeirantes avançando por terras nunca dantes exploradas. Eles, navegantes e bandeirantes, ousaram construir uma fantástica história de povoamento e conquistas territoriais que se entrelaçam. Para entender as colocações acima, é preciso destacar quais foram os atributos definidores da unidade nacional, iniciando-se pelo “faseamento” das operações de conquistas territoriais, projetando o poder colonial português pelo mar, prosseguindo com o estabelecimento de “cabeças de praia” e, por fim, avançando por terra para o Oeste bravio, dizem alguns, em busca de um “eldorado” motivador de muitas entradas e bandeiras. Para dar sustentabilidade às conquistas territoriais, Portugal empenhou-se na projeção de três componentes do DNA de uma nova nação: fortificações, casa de câmara e cadeia, para marcar a presença de uma poderosa força exploradora; fé cristã, para semear propósitos e pensamentos; e, idioma comum para unir povos aborígenes sobre uma mesma linguagem. O resultado, como sabemos, foi o surgimento de um “gigante pela própria natureza”. E tudo começou na parte central de uma estreita e alongada planície costeira outrora coberta pela Mata Atlântica, onde existem dois estreitos canais de navegação que contornam a Ilha de São Vicente e se aproximam das “muralhas de pedras” da Serra do Mar. Foi nesta região, entre as ilhas de São Vicente e de Santo Amaro, que em 1532 o capitão-mor do Brasil-Colônia, Martim Afonso de Souza, aportou com sua esquadra, após reconhecer o litoral pouco recortado da América do Sul, desde a foz do Amazonas até a embocadura do Rio da Prata. E foi assim, ou quase assim, que as vilas de São Vicente e Santos surgiram em áreas protegidas pela natureza e longe das “vistas” do mar aberto e dos “fogos” dos canhões dos piratas e dos corsários. A esquadra de Martin Afonso de Souza, com cinco navios, era composta por “fidalgos, militares de estirpe, soldados portugueses, mercenários italianos e franceses, bombardeiros, besteiros e espingardeiros”. Dentre os tripulantes estava o jovem Braz Cubas, então com 24 anos. Entre os séculos 16 e 18, outras “muralhas de pedras” - fortins, fortes, fortalezas -_foram erguidas pelos colonizadores no entorno da Baía de Santos, para proteger a primeira “cabeça de praia” indispensável à passagem das operações navais em “mares revoltos”, para o aprofundamento das conquistas de novas terras “nunca dantes” exploradas. *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia Santista de Letras e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil