(FreePik) Estudioso dos processos de urbanização nos países em desenvolvimento, o professor Milton Santos é considerado um renomado intelectual brasileiro. Escreveu mais de 40 livros, publicados em vários países, sempre com posicionamento crítico sobre a problemática da organização espacial urbana e suas consequências. Em uma de suas obras, Metamorfoses do Espaço Habitado (Hucitec-1988), trata da projeção do futuro urbano e, principalmente, da busca do “melhor caminho que dê conta do real e tenha um papel prospectivo”. Milton Santos faleceu no início do século 21 e não conheceu a tecnologia dos gêmeos digitais aplicada ao espaço habitado. O projeto de gêmeos digitais (ou virtual twins) da Dassault Systèmes é um dos mais avançados do mundo, utiliza a plataforma 3DExperience para criar réplicas virtuais dinâmicas de cidades inteiras, contribuindo com inovação na organização, funcionalidades e proteção de cidades, estas cada vez mais ameaçadas pelas mudanças climáticas. Diferente de um simples mapa 3D, esses modelos são alimentados por dados em tempo real, algoritmos e IA física, uma sinergia tecnológica que permite simular o comportamento da cidade em estudo. Um dos principais casos de sucesso, em implantação, é o Virtual Singapura: um projeto emblemático aplicado em um país. O governo por lá, utiliza a tecnologia dos gêmeos digitais para: visualizar como a cidade se desenvolverá em resposta ao crescimento físico e populacional; testar o fluxo de ventilação; planejar a instalação de painéis solares com precisão; planejar novos bairros, avaliando impactos de sombreamento, fluxo de ventos, qualidade do ar e muito mais. No esforço tecnológico para proteger a cidade e seus habitantes, a tecnologia dos gêmeos digitais está sendo adotada, também, para garantir a sustentabilidade, combater ilhas de calor, reduzir a poluição do ar e ajudar a decidir onde plantar árvores. A ordem é melhorar os espaços públicos e oferecer uma cidade saudável para os cidadãos. Na plataforma de referência os dados são unificados, permitindo que os gestores tenham a dinâmica urbana atualizada e, assim, possam formular as devidas respostas para episódios imprevisíveis ou de intervenções. Neste contexto de soluções, o espaço urbano, um sistema de realidades formado pelas coisas e pela vida, é tratado de forma inovadora, em nome do bem-estar de todos. *Alfredo Cordella. Professor de Gestão do Conhecimento da Unisanta