“Temos que assumir toda a responsabilidade de principais construtores daquilo que ainda seremos” Ilya Prigogine, químico russo Em 1996, o Premio Nobel de Química Ilya Prigogine, em seu livro O Fim das Certezas, revolucionou o pensamento científico ao propor que o universo não é governado por leis deterministas e simétricas, mas sim pelo caos, pela instabilidade, pelas incertezas e pela imprevisibilidade do tempo. Em síntese, não temos como prever o futuro, o porvir não é uma cópia do passado! Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nestes tempos, no entanto, as premissas levantadas por Prigogine, colocando fim às certezas, nunca estiveram tão presentes em nossas vidas. Um conjunto de fatos e fatores abala uma lógica determinística que daria a cada um de nós e, principalmente, aos tomadores de decisões uma ideia aproximada de como seria o amanhã. A emergência climática, as ameaças de um super El Niño, as guerras entre países, as mudanças geopolíticas, a perda da relevância de instituições multilaterais (OMC, OMS, ONU), a nova guerra fria (EUA x China), os avanços da IA, enfim uma crise global sem precedentes já está deixando o planeta doente e tornando o futuro sombrio e incerto. Recente matéria no jornal Valor com o título “Geopolítica e incertezas impactam a grade de cursos” trata da necessidade em se discutir detalhes, abordagens e soluções subjacentes a esta crise global no interior das salas de aulas, principalmente em nível formal superior. A Educação, em todos os níveis, está sempre associada a um preparo efetivo para o futuro, entretanto, raramente, faz deste futuro desejado seu objeto de estudo. Há um volume significativo de conhecimento acumulado, em conceitos, métodos, experiências e cases de sucesso sobre a análise prospectiva (visão de futuro) que poderia repercutir como base em vários cursos de formação profissional e como alternativa no enfrentamento nesta crise de incertezas que ameaça a vida no planeta. A análise prospectiva, seja como previsão corporativa, seja com previsão tecnológica, é uma disciplina de gestão que permite ao profissional, em sua formação, detectar mudanças antecipadamente, interpretar as consequências dessas mudanças e formular respostas eficazes para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento, em curto e longo prazo. Diferente do planejamento estratégico tradicional, que costuma “olhar” para dados do passado e projetar os próximos anos de forma linear, a análise prospectiva lida de forma efetiva e probabilística com incertezas e complexidades associadas a cenários futuros múltiplos. A severidade da crise global que enfrentamos exige responsabilidades, em escala individual e coletiva, sobre o futuro que ainda seremos e ansiamos.