[[legacy_image_325741]] Em recente editorial, o Jornal A Tribuna expôs uma antiga preocupação da classe médica e das entidades que a representam: o futuro do SUS. A luta contra a covid nos mostrou a importância inegável do sistema de saúde brasileiro, mas também destacou suas vulnerabilidades, especialmente a distribuição geográfica desigual dos profissionais de saúde e do acesso da população aos serviços de saúde de média e alta complexidade. Durante a pandemia, aprendemos a dura lição da necessidade de construção uma agenda de saúde pública com uma perspectiva integral e integrada. Acertadamente, o texto explana a alta demanda pelos serviços públicos, num país com grande concentração de renda e muitos pobres. Entretanto, a perspectiva é de que essa procura aumente ainda mais. Hoje vemos uma baixa adesão dos jovens aos convênios médicos, o que acaba provocando a elevação dos custos para as empresas, que por sua vez repassam aos conveniados. Com isso, muitos idosos não estão conseguindo arcar com os novos valores (alguns sobrepreços chegaram a 25%) e estão migrando para o SUS. Se somarmos a isso o avanço da tecnologia - que se traduz a uma Medicina mais cara, uma maior expectativa de vida e a “pejotização” da população mais nova, que muitas vezes não recolhe INSS –, o futuro da saúde pública em nosso País não parece muito promissor. Agora é a hora de cobrarmos nossos governantes, ampliarmos o debate sobre o assunto e nos comprometermos a garantir uma saúde pública de qualidade e gratuita, com eficiência, planejamento dos recursos e ampliação dos repasses. Felizmente, alguns (poucos) estados já iniciaram o aumento dos repasses para a saúde pública. Em São Paulo, por exemplo, além da criação da Tabela SUS Paulista, que prevê a criação de uma tabela própria para remunerar procedimentos feitos por hospitais conveniados ao SUS, complementando o valor que os hospitais recebem atualmente do ministério da Saúde e pagando (com recursos próprios, do tesouro estadual) até cinco vezes mais que a União; foi criado o programa de Incentivo à Gestão Municipal (IGM SUS-SP), que aumentou o repasse estadual para a saúde pública das cidades (em 2024, a previsão é de R\$ 700 milhões). A tabela é mais um passo para acabar com as filas de espera para procedimentos na rede pública de todo o Estado. Já o IGM SUS-SP foi idealizado como uma solução para elevar a quantidade e oferta de serviços de saúde após as gestões municipais das cidades apontarem dificuldades financeiras para o cumprimento de obrigações no setor. Por fim, não podemos esquecer que independente de classe social, idade, gênero, raça ou ideologia política, todos nós já precisamos ou vamos precisar dele um dia. O SUS é a segurança para todos e é nosso dever garantir sua continuidade, com a qualidade e eficiência que a população brasileira merece.