(Imagem Ilustrativa/Pixabay) Assisto, periodicamente, notícias vinculadas ao feminicídio no nosso país. A condenação do ponto de vista social e legal não basta, pois não resolve a origem do problema. A nossa visão fenomenológica – existencial busca uma resolução efetiva. Na origem da nossa civilização, alguns mitos foram criados, dentre os quais, a supremacia do macho sobre a fêmea. Na Roma antiga e na Grécia, a mulher, na escala social, vinha abaixo do homem escravo. A força muscular desenvolvida pelo homem em função do trabalho braçal no passado, a ele atribuída, pode representar a ilusão de uma supremacia. Para a socióloga e antropóloga francesa Elizabeth Badinter, professora da Universidade da Sorbonne, no seu livro Um é o Outro, diz que não. Nos seus estudos antropológicos, ela faz uma análise mais profunda - o homem domina a mulher não porque tem mais força, mas porque tem medo. Medo? O leitor poderia questionar. Sim, é o medo de se coisificar, repressivamente falando, pois na sua origem teve uma mãe que o gerou, pariu e educou e, por vezes, com dominância e ensinando o filho a ser superior e duro. São preconceitos enraizados na nossa cultura. Ao fugir do medo de ser dominado, ele se manifesta com características protetoras ou agressivas, no momento em que é rejeitado e, por ciúmes e pela perda, coloca o seu machismo em questão, chegando no feminicídio. Por outro lado, o existencialismo acentua, como Simone de Beauvoir nos fala, que a mulher não nasce mulher, se torna mulher. Isso quer dizer que ela está se construindo e se apropriando da sua condição de ser humano, que tem desagradado o homem. Hoje as mulheres se desenvolvem, ao ponto de que os homens vêm sentido que sua supremacia está ameaçada na disputa do mercado de trabalho. De esposa e mãe, a que foi relegada, tornou-se profissional, intelectual e até política, onde encontra, ainda hoje, preconceitos a serem derrubados. Nós, como sociedade, precisamos fazer uma autocrítica, pois preconceitos diários são cometidos em relação às mulheres, muitas vezes partindo delas próprias, como por exemplo, na hora de uma situação crítica para a escolha de um médico, acabam sempre fazendo uma opção, indevidamente, pelo profissional homem, como se ele fosse mais capaz. Podemos, nesse sentido, afirmar que a sociedade ainda não estabeleceu o lugar merecido para a mulher, haja visto a discrepância do percentual feminino nas várias áreas profissionais no Brasil e no mundo. Como antevemos uma resolução? A educação e a psicoterapia seriam possibilidades para a conscientização, onde a reciprocidade e o respeito irão nortear a relação entre o homem e a mulher. A questão, que é complexa, está em aberto para a sociedade, a fim de que novas soluções possam ser encontradas, na busca de se eliminar o surto de feminicídios galopantes. *Arlindo Salgueiro. Psicólogo e psicoterapeuta