(FreePik) O mundo moderno oferece muitas facilidades, mas, ao mesmo tempo, coloca incontáveis pressões sobre as pessoas. Homens e mulheres têm meios de transporte mais velozes e acessíveis, ganharam formas de se comunicar imediatas, falam com todo o mundo de maneira ágil, muitos executam trabalho sem sequer precisar sair de suas casas. Outros pegam seus celulares ou computadores e resolvem todos os problemas bancários num piscar de olhos, enfim, têm agilidade nunca antes vista. Mas todas essas coisas têm um preço, às vezes alto e caro demais. Tudo é muito bom e ajuda a vida a ficar menos corrida. Ajuda mesmo? A contrapartida dessas inúmeras facilidades apresentadas pela tecnologia e pelo transporte, entre outros segmentos essenciais, tem o seu preço, que também é alto, e alguns se mostram aparentemente impagáveis. As pressões decorrentes disso tudo nos aprisionam em caminhos estreitos e, muitas vezes, sem saída. A sonhada liberdade de trabalhar em casa, de usar um transporte ágil e estar conectado com o mundo todo 24 horas por dia pode nos direcionar para caminhos sem saída e repletos de obstáculos que - de forma paradoxal - nos impedem de seguir adiante. É preciso ser forte, corajoso para recomeçar diariamente. Homens e mulheres precisam colocar de lado, de preferência de forma definitiva, ou jogar no lixo digital e mental, o que as paralisa e dá um passo à frente para continuar a caminhada da vida. De forma redundante: quem fica totalmente parado não vai a lugar algum nem faz nada. Reconhecer as falhas, reprogramar os rumos, projetos e objetivos, enfim, recomeçar, traz libertação das grossas correntes que nos impedem de progredir e encarar as dificuldades e circunstâncias da vida. As dificuldades podem ser bem úteis em quem as enfrenta com coragem, pois mostram as vulnerabilidades que todos os seres humanos apresentam, de maneira clara ou não. Como suplantar esses momentos que, em maior ou menor escala, todos enfrentam? O escritor italiano Umberto Eco defendia que o ócio é um momento de prazer e reflexão profunda, permitindo que a mente produza ideias novas e conexões, pontos essenciais para repensar os passos e alcançar ajuda. O ócio criativo não serve somente para o desenvolvimento intelectual e artístico, como propôs Eco. Pode ser usado no dia a dia do trabalhador comum. Esse descanso, o distanciamento momentâneo da questão, é algo que precisa ser controlado com o devido equilíbrio, pois de nada adianta ficar parado o tempo todo e deixar as coisas acontecerem à revelia. É preciso parar para pensar melhor, fugir do estresse dos momentos duros, buscar novos com vinhos e soluções e seguir em frente. *José Roberto Chiarella. Educador, professor de Educação Física, coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida) e advogado com especialização em Direito Digital