( Arquivo/Agência Brasil ) Dados da recente Pesquisa de Novos Ingressantes no Ensino Superior Brasileiro realizada pelo Semesp - um panorama da captação de alunos pelas instituições privadas no primeiro semestre de 2026 - revelam que o ensino superior brasileiro ainda possui amplo potencial de expansão, especialmente para instituições que conseguem aliar inteligência de mercado, posicionamento de marca, conhecimento das demandas regionais, conexão com a comunidade e uma oferta acadêmica alinhada às necessidades locais. No caso da educação a distância, entretanto, é preciso considerar um desafio estrutural: o acesso à internet no Brasil continua marcado por profundas desigualdades sociais. O país convive com elevados índices de analfabetismo funcional: 29% da população entre 15 e 64 anos possui limitações de leitura, interpretação de textos e raciocínio matemático, competências essenciais em ambientes educacionais digitais. A captação de novos alunos pelo Ensino Superior privado apresentou recuperação moderada no primeiro trimestre de 2026, com crescimento médio de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre as instituições participantes, 41,8% registraram desempenho superior ao observado no período anterior. Das instituições sem fins lucrativos 50,8% relataram melhora na captação, enquanto, entre as instituições com fins lucrativos, predominou a percepção de estabilidade. O ensino presencial foi o grande destaque do período. O número de ingressantes cresceu, em média, 4,9%, e 61% das instituições registraram aumento na captação nessa modalidade. Na direção oposta, a educação a distância registrou retração. A queda média no número de ingressantes foi de 6,3%, e mais da metade das instituições (55,9%) informou redução na captação de alunos nessa modalidade. O ensino semipresencial segue em processo de consolidação, O desafio que se apresenta não é apenas tecnológico. É, sobretudo, humano, social e ético. A rápida digitalização da educação, intensificada pela chegada da Inteligência Artificial generativa, amplia a necessidade de inclusão digital, exige atualização permanente dos currículos, impõe novas competências aos docentes e demanda maior atenção à saúde mental de toda a comunidade acadêmica. O Brasil precisa ampliar os investimentos em bolsas de estudo destinadas aos estudantes de baixa renda, aproveitando a sólida infraestrutura já existente nas instituições privadas de qualidade, que formam a maior parte dos universitários brasileiros e desempenhando papel decisivo na ampliação do acesso ao ensino superior. Enfrentar o futuro não é uma tarefa simples. Mas ele não será determinado apenas pela inteligência artificial que desenvolvemos, e sim pela inteligência humana que preservarmos. O verdadeiro avanço estará na capacidade de formar cidadãos críticos, éticos e preparados para utilizar a tecnologia sem abrir mão daquilo que nos torna essencialmente humanos: a sensibilidade, o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de construir uma sociedade mais justa e conectada pela experiência humana. *Lúcia Teixeira. Presidente do Semesp e da Unisanta