Há um fenômeno silencioso que já faz parte da rotina de milhões de famílias brasileiras: um processo gradual de empobrecimento da população, que corrói o poder de compra, reduz perspectivas e compromete o desenvolvimento do País. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É nítida a percepção de que a inflação do dia a dia é superior à divulgada oficialmente. Grande parte da renda das famílias é destinada aos itens que mais pesam no orçamento (alimentos, energia elétrica, combustíveis, medicamentos, planos de saúde, educação, aluguel e serviços). O problema se agrava porque os reajustes salariais limitam-se à reposição da inflação. Na prática, os trabalhadores têm a remuneração corrigida por um índice que não acompanha o consumo, sem que sobre dinheiro para investir, poupar ou melhorar a qualidade de vida. Esse cenário gera reflexos. O consumo desacelera e as famílias priorizam apenas o essencial. Pequenos comerciantes vendem menos, empresas adiam investimentos e o ciclo econômico perde força. A proposta da jornada 5x2 é importante sob a ótica da qualidade de vida dos trabalhadores, mas merece análise econômica cuidadosa. Diversos setores operam com margens reduzidas e podem enfrentar dificuldades com custos maiores. Para muitas empresas, especialmente pequenas e médias, a alternativa poderá ser reduzir quadros, automatizar processos ou encerrar atividades. Outro fator de preocupação é a reforma tributária. Com o aumento efetivo da carga, o consumidor será inevitavelmente afetado, agravando ainda mais a perda de poder de compra. O país deveria concentrar esforços em incentivar a atividade produtiva ao desonerar investimentos, estimular a indústria, fortalecer o comércio e criar um ambiente mais favorável aos negócios. Enquanto isso, muitos brasileiros buscam alternativas para complementar a renda. Cresce o número de pessoas que recorrem às redes sociais para revender produtos de baixo valor agregado, usando as plataformas como opção de renda extra. Outros enxergam nas apostas on-line uma promessa de ganhos rápidos, mas acabam comprometendo o orçamento familiar e alimentando um ciclo de perdas e frustração. Há ainda um aspecto estrutural com o enfraquecimento da formação profissional. Sem qualificação adequada, a produtividade diminui, os salários tendem a permanecer baixos e a mobilidade social torna-se impossível. O Brasil precisa discutir seriamente as causas desse empobrecimento gradual. Mais do que dar “bolsas”, é necessário criar condições para que produzir, empreender, investir e trabalhar voltem a ser caminhos reais para a prosperidade.