O funcionamento da máquina política e governamental, muitas vezes marcado por processos burocráticos lentos e ineficazes, frustra quem busca mudanças rápidas e concretas (Antônio Cruz/ Agência Brasil) A percepção generalizada de corrupção e falta de ética entre muitos políticos desmotiva pessoas de bem a se envolverem no sistema político. Para essas pessoas, a política pode parecer um ambiente ‘sujo’, onde seus valores não seriam respeitados e onde enfrentariam grande resistência para manter sua integridade. Essa visão gera um ciclo vicioso: a ausência de indivíduos éticos e comprometidos agrava ainda mais os problemas de corrupção. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em alguns contextos, os valores éticos e morais não são prioridade no jogo político, o que desanima aqueles que acreditam nesses princípios. Além disso, muitas pessoas de bem nunca foram incentivadas a enxergar a política como uma via legítima de cidadania, levando-as a crer que não podem fazer diferença de forma significativa nesse espaço. O funcionamento da máquina política e governamental, muitas vezes marcado por processos burocráticos lentos e ineficazes, frustra quem busca mudanças rápidas e concretas. Pessoas bem-intencionadas podem sentir que suas ações não resultam em transformações práticas. A crescente polarização, acompanhada de ataques pessoais, difamações e discursos de ódio, afasta quem valoriza o diálogo, a moderação e a construção coletiva. A exposição pública na vida política também faz com que pessoas éticas temam ver seus valores e reputações distorcidos ou atacados. Além disso, a política pode ser emocionalmente desgastante, exigindo decisões difíceis, conflitos constantes e a gestão de grandes responsabilidades. Muitas pessoas de bem relutam em sacrificar sua saúde emocional, relações pessoais e qualidade de vida em função do estresse contínuo da atividade política. A necessidade de alianças e negociações para lidar com interesses divergentes, pode fazê-las sentir que sua atuação seria solitária sem o apoio adequado. No Brasil, há uma crescente desconfiança nas instituições políticas, vistas como incapazes de atender às demandas populares ou promover mudanças reais. O ambiente político é frequentemente percebido como fechado e dominado por elites tradicionais, o que dificulta a entrada de novas vozes. Indivíduos éticos sentem que é quase impossível competir com figuras já estabelecidas e bem conectadas. A falta de educação política também desempenha um papel importante, pois muitos não compreendem plenamente seu papel no sistema democrático e como podem influenciar mudanças. Resumindo, o afastamento de pessoas de bem da política é impulsionado pela percepção de um ambiente corrompido e ineficaz, pela polarização e pelo desgaste emocional. A burocracia, a dificuldade de inserção e a crença de que as mudanças ocorrem mais facilmente fora da política institucional também contribuem para essa realidade. O desafio, para aqueles que se arriscam pela primeira vez em uma eleição, é ajudar a criar um ambiente político mais acolhedor, ético e eficiente, capaz de atrair outras pessoas para a atuação política. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor.