<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="812" data-start="302">Quando Toy Story estreou, em 1995, o maior medo dos brinquedos era serem esquecidos no fundo do armário. Trinta anos depois, a discussão parece ser outra: como as crianças estão brincando, aprendendo e se relacionando em um mundo cada vez mais digital? É nesse cenário que Toy Story 5 chega às telonas. Ao trazer um tablet inteligente para o centro da narrativa, a nova animação toca em uma das questões mais presentes na vida de famílias e educadores: qual é o papel da tecnologia no desenvolvimento infantil?</p> <p data-end="1172" data-start="814">Durante muito tempo, essa conversa ficou presa a uma pergunta simplista —quanto tempo a criança ficou na tela. A realidade, porém, é muito mais complexa. Nem toda experiência digital é igual. Neste cenário, a provocação precisa ser outra: o que ela está vivendo enquanto está lá?. O desafio é olhar para além do cronômetro e entender a qualidade da vivência.</p> <p data-end="1709" data-start="1174">No filme, Woody, Buzz e seus amigos vivem em um universo onde a imaginação é o motor de tudo. Um brinquedo vira personagem. Uma caixa vira nave espacial. Um quarto vira um mundo inteiro de possibilidades. O que torna essas experiências tão valiosas não é o objeto em si, mas o que a criança faz com ele. E talvez essa seja a mesma pergunta que devemos fazer sobre a tecnologia: a tela está convidando a criança a criar ou apenas a consumir? Ela desperta curiosidade ou apenas entretém? Ela amplia possibilidades ou entrega tudo pronto?</p> <p data-end="1852" data-start="1711">Quando mudamos a pergunta, percebemos que a questão nunca foi a presença da tecnologia, mas a qualidade das experiências que ela proporciona.</p> <p data-end="2345" data-start="1854">Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode se tornar uma ponte para experiências significativas de aprendizagem. Ambientes digitais podem estimular criatividade, resolução de problemas, colaboração, expressão e investigação. O que faz a diferença não é a ferramenta em si, mas a forma como ela é utilizada e o papel que a criança ocupa naquela experiência. Quando ela cria, experimenta, imagina e descobre, a tela deixa de ser o destino e passa a ser apenas um meio.</p> <p data-end="2563" data-start="2347">Talvez essa seja a principal reflexão que Toy Story 5 pode nos trazer. O desafio não é escolher entre o mundo físico ou o digital. O desafio é garantir que a imaginação continue ocupando um lugar central na infância.</p> <p data-end="2939" data-start="2565">Acredito que esse é o verdadeiro desafio da nossa geração. Não afastar as crianças da tecnologia, mas ajudá-las a fazer escolhas de qualidade dentro dela. Porque, no fim, talvez a principal pergunta que Toy Story 5 nos deixe seja: estamos prestando atenção somente ao tempo que as crianças passam conectadas ou ao conteúdo que elas realmente estão vivendo enquanto estão lá?</p> <p data-end="3092" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2941">*Ana Bia. *Especialista em Educação Infantil e Inclusiva e Desenvolvimento de experiências educacionais para crianças, líder em Educação na Kiddle Pass</p>