O caso aconteceu em Itanhaém, no litoral de São Paulo (Divulgação / Prefeitura de Itanhaém) Em 6 de junho, comemoramos o centenário do itanhaense José Rosendo, amante da história local, escritor, ecólogo, folclorista, poeta e músico, para citar apenas alguns de seus atributos. Nascido quando Itanhaém ainda tinha o domínio territorial de Peruíbe e Itariri, esse autêntico caiçara cresceu nas ruas de areia branca da vila histórica, ao lado dos amigos Miguel Simões Dias, Adhemar Rivera, Nilo Entholzer Ferreira, Antônio Mendes de Aguiar e Nélio Pollastrini, explorando as salinas das dunas da Boca da Barra e pescando robalos na foz do rio Itanhaém. Com frequência, os garotos atravessavam o rio a nado, para irem se encantar com as histórias narradas pelo pintor Emídio de Souza, tio-avô de José Rosendo. Tendo perdido o pai, o pescador Benedito Rosendo, ainda na adolescência, teve que trabalhar no comércio local para ajudar no sustento da família, formada pela mãe Maria Ferreira e os irmãos Joaquim, João, Ondina e Olinda. Em 1948, foi contratado para trabalhar na Câmara Municipal de Itanhaém, como secretário, de onde saiu apenas quando se aposentou, no ano de 1982. Trabalhou com grandes personalidades da política municipal e, excelente redator, elaborou todas as atas deste período, inicialmente à mão, com sua bonita caligrafia, narrando em detalhes e minúcias os bastidores do poder local. No fim dos anos 40, fez-se amigo de um jornalista iniciante, Ernesto Zwarg Júnior, que ainda não era o ambientalista renomado mundialmente. Amizade duradoura, uma coisa do destino, pois ambos nasceram em 1925 e morreram no mesmo ano, 2009. Editaram por anos o periódico quinzenal Correio do Litoral. Mais tarde, com Zwarg, o poeta Paulo Bomfim e o memorialista Edison Telles de Azevedo, criaram um círculo humanista que estabeleceu raízes profundas na cidade de Itanhaém, fomentando debates, forjando ideias e iluminando o mundo cultural com inegável sabedoria. Em 1969, foi contratado pelo jornal A Tribuna e se tornou correspondente do Litoral Sul, alimentando a redação santista com incontáveis reportagens sobre o cotidiano regional. Casou com Benedita Luíza da Silva em 12 de dezembro de 1959 e da união nasceram José Ricardo e Maribel e vários netos. Ele nasceu com o nome de José Marcelino Rosendo em 6 de junho de 1925. Sua morte, em 3 de março de 2009, deixou toda a cidade de luto. Em vida, granjeou tantos amigos, ficou conhecido por tantas virtudes e de tal forma lhe era grata a cidade, que seu nome só podia mesmo ser concedido à instituição que mais amou: o Gabinete de Leitura de Itanhaém, o núcleo sociocultural fundado há muito tempo, em 1888, ao lado da subida do Convento, com a missão de proporcionar acesso à cultura contemporânea e ao conhecimento universal, palco de números de dança, recitais e operetas, belas peças de teatro e que, com sua farta biblioteca, alfabetizava as crianças e os adolescentes da nossa antiga cidade, a Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém. *Antônio Justino de Souza é advogado e contabilista.