Embora em extremos opostos – o canhão e o arado – , entende-se que as nações livres não vivem somente de sonhos, ocupando jovens e pessoas mais idosas no cultivo dos ‘louros campos de trigo’. Muitas vezes, infelizmente, precisamos lutar pela sobrevivência neste mundo tão desigual quando o observamos pela ótica da distribuição das riquezas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Creio que podemos concordar com uma análise atribuída ao piloto alemão Erich Hartmann nos indicando que o mundo nunca passou por longos períodos sem enfrentar guerras, a maioria de ordem econômica e/ou por orientação política, nas quais “jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam". Um bom exemplo sobre estes extremos – Segurança e Desenvolvimento – que tanto se aproximam, vem de um antigo poema do gaúcho – Luiz Emílio Leo – que ouvi com atenção e copei sua abordagem teórica sobre um supondo encontro de um canhão e um arado no fundo de um velho galpão abandonado. Diz o autor que, de repente a voz tronitoante do canhão rompe o silêncio fazendo estremecer todo o galpão: “Diz-me pedaço insignificante de ferro inútil o que fizeste no mundo, de que serve, qual o valor do que se chama arado?” A afiada lâmina do arado respondeu haver entre eles uma só diferença: “Eu sou o bem, tu és o mal, paz e guerra! Matas milhões para um herói criar; eu revolvo a terra para milhões alimentar”. O canhão respondeu dizendo: “Não me queiras mal! O meu destino será somente visto com pavor; só ódio e maldição, jamais amor. Saibas, porém, meu velho companheiro, que não represento somente a destruição, pois sou também a sentinela do direito, o forte guardião da liberdade. Marco as fronteiras da soberania. Desumano, eu defendo a humanidade”. Conclui o autor: “Se porventura os déspotas tentarem tomar teus campos de alourado trigo, eu surgirei, e meu poder tremendo será então, arado, teu amigo (...). Saiba, porém que n’ânsia encontida de defesa do sólo pátrio contra estranho ousado, darás todo o teu ferro para balas, e será canhão em vez de arado”. A preparação para um combate, mesmo que indesejável, assemelha-se a bom plano de saúde que pagamos mas rezamos para não precisar utilizar . Mas e infelizmente nunca passarmos um bom tempo mundo afora sem as agruras de uma guerra, de guerrilha ou convencional e pior ainda “as vitórias (ou as derrotas) não trazem nenhuma reputação de sabedoria nem crédito pela coragem dos combatentes, na medida em que são obtidas em circustâncias não esclarecidas” pelos governos que as alimentam.