(Imagem ilustrativa/Freepik) A brincadeira é uma forma fundamental de aprendizado e interação social, que deve ser valorizada em todas as idades. Especialmente no contexto infantil, ela desempenha um papel essencial no desenvolvimento emocional, cognitivo e físico. O conceito de edutainment (educação + entretenimento) tem ganhado destaque por combinar aprendizado com diversão, promovendo experiências educativas que capturam a atenção e a imaginação dos pequenos. No entanto, as crianças de hoje brincam cada vez menos. O tempo deles é amplamente ocupado por redes sociais e atividades pouco estimulantes, o que limita a brincadeira livre. A ênfase nas notas e no aprendizado tradicional também tem diminuído a valorização das atividades lúdicas, sendo que cerca de 65,1% dos estudantes brasileiros se sentem ansiosos com a possibilidade de reprovar em matemática, conforme dados do Pisa (2022). Quando falamos sobre como as crianças aprendem melhor brincando, é essencial entender os benefícios neurocientíficos dessa atividade. A brincadeira ativa diferentes áreas do cérebro, promovendo um desenvolvimento cognitivo holístico. Isso acontece porque a atividade lúdica envolve diversos processos mentais, como a percepção, a memória, a resolução de problemas e a tomada de decisões, essenciais para o aprendizado. Em um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, foi comprovado que o cérebro das crianças é mais receptivo ao aprendizado quando está engajado de forma divertida. A brincadeira permite que elas absorvam conceitos de maneira natural, sem a pressão de uma estrutura tradicional de ensino. Além disso, passatempos como quebra-cabeças e jogos de tabuleiro, aguçamos pensamento lógico e a resolução de problemas. Crianças que participam de atividades assim tendem a desenvolver melhores habilidades cognitivas, pois o cérebro precisa criar estratégias para superar obstáculos e alcançar objetivos. Outro benefício importante das brincadeiras é a interação social. Quando as crianças se divertem juntas, elas têm a oportunidade de aprender a negociar, compartilhar, respeitar as diferenças e resolver conflitos. Mas as telas não precisam ser nossas inimigas, basta o cuidado e a medida estratégica para o uso adequado na rotina infantil. Os jogos e aplicativos que permitem explorar novos mundos e realizar tarefas que exigem raciocínio lógico ou habilidades motoras, são formas altamente eficazes de aprendizado. O edutainment é uma abordagem que se adapta muito bem às novas gerações, atendendo à sua afinidade com a tecnologia e ao seu desejo por experiências interativas. Além disso, a brincadeira continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para o aprendizado. Ao permitir que as crianças se divirtam enquanto aprendem, os pais também podem criar oportunidades de conexão e desenvolvimento, tornando o processo educativo mais leve e significativo, não o atribuindo unicamente ao ambiente físico da escola, afinal, aprendemos em qualquer lugar e sempre, não somente em horas marcadas. Regina Madureira. Head de Produto da International School.