(Unsplash) Ah, o Brasil — esse eterno laboratório de experiências malsucedidas. O Supremo Tribunal Federal (STF), como se não tivesse mais nada a fazer além de legislar onde o Congresso se acovarda, prepara-se agora para retomar as discussões sobre a pejotização. Um eufemismo cínico, importado com sotaque de Miami, que significa simplesmente: “Você trabalha, mas sem direito a absolutamente nada”. Os ministros togados, em seus palácios climatizados, querem saber se é legal transformar gente em CNPJ — como se o Brasil já não fosse um cemitério de legalidades inúteis. A verdade, caros leitores — se é que ainda há leitores com cérebro neste país — é que a aposentadoria pública vai virar peça de museu. A previdência estatal, esse dinossauro em estágio terminal, não se sustenta num país que envelhece sem ter enriquecido. A matemática é simples: mais velhos, menos jovens, zero dinheiro. E o que sobra? O “empreendedor de si mesmo”, esse servo do século 21, obrigado a ser contador, advogado e camelô de sua própria mão de obra. A pejotização é o epitáfio da CLT. Um regime de exceção tornado regra por omissão do Estado e entusiasmo da Faria Lima. Claro, os devotos do liberalismo de Power Point dirão que é “flexibilização”, “liberdade de contratar”. Bobagem. É liberdade para o mais forte impor ao mais fraco sua vontade — Hobbes com carteira de trabalho rasgada. O trabalhador não é mais empregado, é prestador de serviço com sorriso forçado e zero INSS. E quem vai pagar sua velhice? O Uber? A Shein? Prepare-se, brasileiro. O Estado não cuidará de você. Aliás, nunca cuidou. A única coisa que sustenta essa ilusão previdenciária é o tempo: um tempo que acabou. Se quisermos algum futuro — o que já é uma suposição otimista demais — será preciso migrar de vez para um sistema de capitalização real, transparente, onde cada um cuida de sua própria sorte (ou azar). A aposentadoria pública vai se tornar um privilégio de castas estatais e togadas. O resto? Bem, o resto que compre ações da Petrobras e torça. O Brasil, esse Titanic tropical, segue navegando rumo ao colapso com banda e caipirinha no convés. Mas tudo bem — o brasileiro é otimista por ignorância. *Gregório José. Jornalista, radialista e filósofo