O fenômeno da imigração faz parte da formação histórica do Brasil desde o período colonial e se intensificou entre meados do século 19 e as primeiras décadas do século 20, principalmente com a chegada de italianos, japoneses, portugueses, alemães e árabes. Após um período de retração provocado por medidas restritivas, os fluxos migratórios se intensificaram novamente na segunda metade do século 20, mas com um novo perfil: pessoas vindas sobretudo da América Latina, da Ásia e da África. Mais recentemente, o Brasil se tornou destino de refugiados e migrantes de diversos países, como Venezuela, Afeganistão, Haiti e Síria, marcados por crises políticas e humanitárias, conflitos e desastres naturais. Hoje, segundo o Observatório das Migrações Internacionais – Obmigra, o Brasil abriga cerca de 2 milhões de imigrantes. O projeto relata as diversas recomendações para a sua integração à sociedade brasileira, com o objetivo de implementar a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA). Durante o II Fórum Internacional de Revisão da Migração (IMRF), realizado em maio na sede da ONU, em Nova Iorque, o Brasil participou ativamente e apresentou 11 compromissos, com o objetivo de fortalecer a governança migratória nacional, com destaque ao acolhimento humanitário e ao combate à xenofobia, além da implementação e do monitoramento contínuo da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia. A ONU para Refugiados (Acnur) tem reconhecido a relevância da nova política, definida por seu representante no Brasil, Davide Torzilli, como única no mundo, e o compromisso brasileiro com um sistema de proteção baseado em direitos humanos, cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas. No entanto, acolher bem não se resume à entrada regular no país, porque pressupõe criar condições reais para que imigrantes, refugiados e apátridas participem da vida social e econômica. O depoimento de Navid Manafi Rasi, publicado na revista Veja de 24/7/2026, ilustra com força o papel do Brasil como país de acolhimento. Fugitivo do Irã por ser gay, enfrentou uma viagem tumultuada a caminho do Brasil e sofreu um acidente de carro no Peru, perto da fronteira. Em estado de choque, foi levado até a polícia e, aos prantos, pediu refúgio. O agente respondeu: “Bem-vindo ao Brasil, o Brasil é para todos. Fique tranquilo, não precisa chorar”. Depois disso, Navid conseguiu se estabelecer no país. Como resumiu em seu depoimento: “O Brasil me deu casa, paz e o direito de existir de verdade”. *Cristina Seixas. Jornalista, tradutora, estilista, mestre em Design e escritora