[[legacy_image_290893]] As pessoas com transtorno do espectro do autismo (TEA) têm necessidades de saúde complexas e exigem uma gama de serviços integrados. As percepções de mundo e espaço físico se dão a partir de diferentes níveis de sensibilidade e estímulos para pessoas com TEA, seja por uma cor mais forte ou mais fraca, um som alto ou baixo, a iluminação e a amplitude do ambiente. As dimensões sociais e culturais estão sempre presentes na definição dos ambientes, mediando a percepção, a avaliação e as atitudes do indivíduo frente ao ambiente. Cada pessoa percebe, avalia e tem atitudes individuais em relação ao seu ambiente físico e social. Na inter-relação, temos que estudar o ambiente físico particular sobre as condutas humanas, relacionando a reciprocidade entre pessoa e ambiente. A arquitetura pode provocar sentimentos, emoções, lembranças. Na relação do homem com o ambiente, arquitetos e designers precisam entender os aspectos físicos e psicológicos do indivíduo que ocupará o espaço. Ao projetar para idosos, os profissionais devem observar detalhes peculiares de suas vidas e estarem atentos às questões estéticas aliadas ao conforto, segurança, limitações físicas e visuais dos mesmos. Nos espaços destinados aos autistas é necessária uma atenção especial aos elementos ambientais que proporcionem conforto ambiental. O paisagismo também faz parte da humanização dos ambientes e é extremamente importante, pois a vegetação influencia no psicológico das pessoas, reduzindo o estresse, auxiliando no conforto acústico e diminuindo os ruídos do local, entre outros pontos. Em relação ao conforto acústico, é necessária a aplicação dos princípios da acústica arquitetônica ao projeto de ambientes de saúde evitando ruídos ou a reverberação do som, tanto para as crianças TEA quanto para os profissionais que atuam nesses espaços. O arquiteto deve procurar soluções que partem da forma e da implantação da edificação até a escolha dos materiais de revestimento para amenizar o desconforto acústico provocado pelos ruídos. Um local especializado no atendimento a pessoas com TEA é essencial e indispensável seguir e aplicar as recomendações da NBR 9050/2020, pois pela Lei Federal 12.764/2012 as crianças, jovens e idosos com TEA são consideradas com deficiência, necessitam de espaços acessíveis e adequados com algumas características conceituais essenciais. Temos as recomendações para projetos mais humanos e que melhorem e acolham as pessoas com TEA, com objetivo de proporcionar a qualidade espacial indispensável à realização das atividades propostas pelo ambiente, com característica versátil, capaz de atender as singularidades sensoriais e de compreensão de cada indivíduo. A arquitetura tem uma importância fundamental na produção, desenvolvimento e equilíbrio do espaço físico. Pode e deve oferecer ambientes com melhor conforto ambiental, com atividades que beneficiam as funções cognitivas, estimulando o corpo, trazendo uma maior autonomia a todos. Quanto ao ambiente construído, este pode ser moldado para gerar as sensações e afetos pretendidos, mostrando a importância dessa temática para pessoas com TEA e gerando conforto e bem-estar.