[[legacy_image_307834]] Fomos enganados! Depois que a maior parte do mundo se transformou em repúblicas, na crença da posição mais igualitária entre os indivíduos nesta forma de governo, observamos que, de fato, o republicanismo não tem sido o melhor dos regimes. A humanidade que viveu milhares de anos sob regimes monárquicos – com seus muitos erros e acertos – deu-se conta de que as repúblicas apresentam duas falhas fundamentais: nem sempre se elegem os melhores – ou seja, não é mérito o que elege um individuo para a chefia do executivo de um país – e o custo da polarização numa sociedade é extremamente desgastante. A troca dos presidentes tem sido um motivo de constante preocupação. A república norte-americana, considerada o modelo ocidental de democracia, se deteriora substancialmente desde os tempos de Richard Nixon. A transição de Donald Trump para Joe Biden foi um momento trágico da história recente. E a perspectiva do novo ciclo eleitoral evidencia uma transformação do regime político norte-americano numa gerontocracia. A polarização inerente às eleições presidenciais faz prosperar uma sociedade dividida. O eleito jamais representa a maioria da população, com uma legitimidade parcial obtida em processos eleitorais nem sempre tão pristinos. O relógio eleitoral não permite continuidade nas políticas públicas implementadas. Todo governo sucedâneo busca reescrever o passado sem dar continuidade às obras empreendidas no anterior. Assim, os países se transformam em cemitérios de obras públicas inacabadas. Além disso, para evitar que o poder executivo exacerbe seus poderes, cria-se um sistema de freios e contrapesos – como deveria ser, mas que se transforma num campo constante de batalhas na disputa pelo poder. Por outro lado, no antigo regime – a monarquia – vemos a preservação do patrimônio cultural de um povo, sua identidade nacional e o orgulho de uma história comum. O monarca, como símbolo de uma nacionalidade, serve como repositório da unidade nacional e serve como árbitro, particularmente em momentos de impasse entre os poderes governamentais. Esta estabilidade é essencial para o avanço de uma sociedade. O fato de não ser eleito o coloca acima das disputas partidárias e das divisões políticas do momento. Mas o fator principal que é o mais relevante é a questão da estabilidade política. Como as tensões políticas e as rivalidades restritas aos partidos políticos, não se confunde estado com governo. A situação recente do Reino Unido, após a saída britânica da União Europeia, quando vários primeiros-ministros assumiram a chefia de governo, a figura sóbria e estável da rainha Elizabeth II logrou manter a estabilidade nacional. Apesar das mudanças eleitorais, o monarca atua como memória histórica e atua na cobrança pela coerência nas políticas e nas transições de poder. Rui Barbosa, um republicano arrependido, reconheceu que “o parlamento, no império, era uma escola de estadistas. Na república, uma praça de negócios”. Monarquias logram construir elites, reconhecendo e incentivando o mérito nas sociedades, mais filantropia e orgulho nacional. O antigo regime, sem dúvida, é muito superior àquilo que seguiu. Vivat Rex!