[[legacy_image_282297]] À medida que o ano de 2024 se aproxima, é importante termos claros alguns dos desafios que advirão num futuro breve, particularmente no cenário global. A Organização Mundial de Comércio (OMC) prevê, por exemplo, que o comércio global deverá cair, particularmente considerando a elevação do nível de protecionismo, a continuidade da tensão geopolítica e as mudanças nas cadeias de produção. As possibilidades de maior crescimento econômico são, portanto, mais reduzidas. A globalização que, por alguns anos, foi um motivo de esperança para os países emergentes, com possibilidades de atração de capital estrangeiro para investimentos de longo prazo e aumento de exportações, tem enfrentado desafios crescentes e derivados, principalmente, do conflito frio crescente entre Estados Unidos e China. Dentre os grandes desafios, a partir de 2024, destacamos algumas questões que deveriam constituir uma pauta prioritária para encontrarem-se soluções que, efetivamente, mitiguem estes desafios. A pobreza e a desigualdade, sem dúvida, num cenário após o fim das restrições da pandemia da covid-19 e de guerra na Ucrânia, devem constituir a preocupação principal. Afinal, bilhões de pessoas ainda vivem na pobreza, sem acesso a saneamento básico, alimentos, água potável e educação, com gritantes disparidades econômicas, que incrementam, cada vez mais, os desafios com a questão migratória, o radicalismo religioso e o abismo entre ricos e pobres. A segurança alimentar - comida adequada e nutritiva para a população mundial - é altamente prejudicada pela deteriorada situação econômica. Milhões de pessoas, devido à condição social, tampouco têm acesso à educação de qualidade, reduzindo-lhes oportunidades de maior desenvolvimento e capacitação pessoal. O ciclo da miséria retroalimenta-se das oportunidades cada vez mais reduzidas de ascensão social. Crises de saúde e surtos de doenças infecciosas constituirão, sempre, uma enorme preocupação. A pandemia revelou a necessidade de construção e estabelecimento de sistemas de saúde eficazes e melhoria na capacidade global de cooperação para controlar e prevenir enfermidades existentes e desconhecidas. O mundo ainda enfrenta as graves consequências da pandemia, cujo impacto ainda se fará sentir por muitos anos. A instabilidade política, caracterizada por enorme agitação, conflitos e guerras civis, deverá prosseguir, diante da crescente polarização e inabilidade das lideranças atuais quanto à forma de lidar com oposição. Há uma enorme deterioração nas democracias quanto à sua capacidade de, efetivamente, entregar resultados positivos, e também nos processos de transição entre grupos de poder. Cada grupo que ascende ao poder parece mais interessado em apagar o legado do anterior do que, na realidade, aprimorar políticas anteriores ou entregar resultados positivos no curto, médio e longo prazos. Identificar os desafios constitui, pois, um elemento importante na construção de estratégias para se enfrentarem os problemas que advirão. O mundo - particularmente os países em desenvolvimento - enfrenta problemas reais, que as lideranças parecem ignorar. Planejar o futuro, conhecendo as turbulências que advirão, é, portanto, uma obrigação de quem governa. O ano de 2024 já está chegando!