[[legacy_image_338102]] Pesquisadores norte-americanos (sempre eles) vêm estudando o que acontece em nossos cérebros nos primeiros dias em que estamos apaixonados. As conclusões são que o amor romântico é conexão mais profunda que a luxúria, porém distante do apego associado a relacionamentos de longo prazo. Trata-se, portanto, da paixão arrebatadora que se instala e devora corações e mentes, e não de relações duradouras e permanentes, mais refletidas e tranquilas. O amor mexe com nossas cabeças. As reações não vêm do córtex cerebral, onde desenvolvemos nossos pensamentos e também não emanam das regiões centrais do cérebro, ligadas às áreas límbicas que comandam as emoções. Na realidade, ocorre aumento da atividade em áreas ricas em dopamina, um neuroquímico que controla sentimentos de desejo e vontade. Essas regiões são também ativadas por drogas, e não é exagero, portanto, classificar o amor como um vício natural. Helen Fisher, pesquisadora sênior do Instituto Kinsey da Universidade de Indiana, não hesita em dizer que as pessoas suspiram por amor, vivem por amor, matam por amor e morrem por amor, afirmando ainda que se trata de um dos sistemas cerebrais mais poderosos que o ser humano já evoluiu. Muito bem. Poderíamos então concluir que o amor é desencadeado por instinto, fora da racionalidade? Os cientistas discordam e dão a explicação: do ponto de vista da evolução humana (lembram-se do velho Darwin?), os humanos assumiram tal comportamento porque a união e o acasalamento são essenciais para a sobrevivência da espécie. Sem essa paixão irrefletida e irresistível, que arrasta as pessoas quase para a loucura, não existiríamos hoje. Sem parceiros não teríamos descendentes, e o planeta estaria povoado por plantas e baratas. Amor-paixão é obsessivo, sem dúvida. Os apaixonados são incapazes de pensar em qualquer coisa além do seu amado ou amada, e outra pesquisadora, Sandra Langeslag, constatou, em experiências com voluntários, que tais participantes relataram pensar no objeto de seu desejo aproximadamente durante 65% das suas horas acordados, acrescentando que tinham dificuldades para concentrar-se em outros assuntos que não o homem/mulher amados. Deixando de lado pesquisas, estudos e exageros, é importante saudar e reverenciar o amor como essencial nas nossas vidas. Ele surge como paixão – e que maravilha é apaixonar-se – e arrisco dizer que, apesar de tudo, mantem-se vivo e forte durante toda a vida, ou pelo menos, enquanto prossegue o relacionamento. Nada de irracionalidade, ou apenas sinal da evolução. O amor é natural, espontâneo, vigoroso. Dá sentido e motivação à vida, e reduzi-lo a estudos de neurociência é empobrecimento sem sentido. Outros comportamentos espontâneos e naturais, como pensar e comer, dão origem à ciência e à gastronomia, refinamentos tão importantes e necessários. O ato de pensar (e seus correlatos, como raciocinar, relacionar fatos, resolver problemas) é sublime e único. Alguém duvida que arte e criatividade transformam o hábito de comer em prazer imenso? Nada contra, portanto, impulsos naturais. Eles são maravilhosos e se transformam com o tempo. No caso do amor, sigamos em frente, sem medo do amor e de mergulhar fundo na paixão amorosa, hoje e sempre.