Há anos, a construção civil reclama da falta de mão de obra. É difícil encontrar profissionais qualificados e, ao mesmo tempo, atrair gente nova para o setor. Esse é um problema que as empresas enfrentam diariamente. Mas, depois de tanto falar sobre a falta de trabalhadores, chegou o momento de apresentar uma solução. Foram dois anos de trabalho, discussão e diálogo entre empresas e trabalhadores. E, para mim, essa união é um dos pontos mais importantes das Trilhas Profissionais da Construção, iniciativa que o SindusCon-SP e seus parceiros lançam este mês. O ponto de partida é simples: a construção precisa deixar claro que não oferece apenas emprego. Proporciona carreira. Muita gente talvez não saiba, mas o setor paga bons salários. A remuneração média de entrada está em torno de R\$ 2,4 mil, entre as mais competitivas da economia brasileira. Em São Paulo, capital, um mestre de obras pode receber entre R\$ 15 mil e R\$ 20 mil. Quem pensa em ingressar na construção pode não saber por onde começar, o que precisa aprender ou quais competências são necessárias para avançar. E quem já está no setor nem sempre consegue visualizar até onde pode chegar profissionalmente. As Trilhas Profissionais foram criadas justamente para dar respostas a essas questões. A proposta é organizar as carreiras, estabelecer critérios de qualificação e certificação e mostrar ao trabalhador um caminho concreto de evolução profissional. As empresas que aderirem ao programa passarão a adotar os mesmos degraus de evolução e sete linhas de qualificação, criando uma referência comum e ajudando a uniformizar as carreiras no setor. Também vamos atualizar nomenclaturas que já não representam adequadamente as competências exigidas hoje, como as de servente e pedreiro. Há ainda outro compromisso, investir em qualificação. O Senai-SP será parceiro nessa jornada, com formação conectada às necessidades reais dos canteiros. A ideia é levar conhecimento para mais perto de onde o trabalho acontece e preparar profissionais para uma construção cada vez mais tecnológica, mecanizada, industrializada e produtiva. O projeto começa em São Paulo, com empresas associadas ao SindusCon-SP, mas a ambição é maior. Se o modelo for validado, poderá ser levado a canteiros de obras de todo o Brasil. Sabemos erguer edifícios, cidades e infraestrutura. Agora, com as Trilhas Profissionais da Construção, queremos deixar igualmente claro que também sabemos construir caminhos para uma carreira profissional. *Yorki Oswaldo Estefan. Presidente do SindusCon-SP