(Vanessa Rodrigues/AT) Um dos temas na agenda de debates do período eleitoral brasileiro em 2024 e dos primeiros dias do novo ano contemplou a mobilidade urbana e as melhores soluções para diminuir o tempo nos engarrafamentos. Qualificação do transporte público, aumento de pedágios e uma série de outras iniciativas voltaram a ser expostas diante do período cada vez maior na fila de veículos. Nem mesmo os modelos de trabalho híbridos, com mais dias em casa, têm mudado a situação. De olho em estender benefícios das aplicações tecnológicas para melhorar a vida da nossa sociedade, o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) mobilizou especialistas para encontrar alternativas plausíveis para modernizar o tráfego de veículos nas grandes cidades. Principalmente pensando na ampliação da fluidez de deslocamento e nos horários de maior circulação. Desde o período da pandemia de covid-19, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se esforça em ajudar na gestão dinâmica dos semáforos e outros dispositivos de trânsito. Além de Campinas representar legitimamente os desafios de deslocamento urbano encontrados em outras áreas do país, nosso grupo se esforçou em criar soluções plausíveis e facilmente adaptáveis em regiões com as próprias peculiaridades. A maior preocupação estava em oferecer algo escalável e eficiente, comprometido com o melhor aproveitamento dos recursos urbanos, a agenda de cidades sustentáveis, o uso de insumos e tecnologias acessíveis e até de domínio de futuros viabilizadores. Pensando em impactar diretamente a qualidade de vida dos brasileiros, concentramos a atenção em uma rota para o Hospital PUC-Campinas por causa da existência de 13 semáforos em um trecho de elevado tráfego de veículos. Um dos experimentos combinou Internet das Coisas (IoT) com uma técnica matemática vinda do setor de inteligência computacional. A principal razão para escolher essa lógica chamada de Fuzzy é por ela se diferenciar de sistemas binários tradicionais e analisar variáveis dinâmicas e imprecisas. Exatamente o que nos deparamos a cada instante com as mudanças de tráfego e volume de veículos conforme o período do dia, a condição climática e a época do ano. Essa flexibilidade se somou ao uso de uma plataforma desenvolvida no Brasil, a Dojot, que possibilita controlar em tempo real e com mais precisão dispositivos conectados como semáforos inteligentes. Um dos resultados mais emblemáticos dessa experiência foi a possibilidade de redução, em até 30%, do tempo de deslocamento de veículos como ambulâncias, carros de polícia e dos bombeiros. Em situações em que cada instante pode fazer enorme diferença, esse percentual é bastante animador. Tão importante quanto isso é a possibilidade de escalar o modelo e adaptá-lo a outras regiões do país e outras prioridades pensando em logística, qualidade de vida e mais eficiência em suprir demandas no começo ou no final do dia quando a população costuma se deslocar ou voltar do trabalho, escola ou lazer. *Membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), professor colaborador da Unicamp e pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer