(Reprodução/Pixabay) Nos últimos anos, algo silencioso, mas significativo, vem acontecendo nos aeroportos brasileiros: famílias inteiras embarcam com malas pesadas e planos ainda mais ambiciosos. O destino preferido? Os Estados Unidos. E os motivos vão muito além do sonho americano de outrora. O Brasil exporta, cada vez mais, pessoas que partem com estratégia, não com desesperança. Essa nova onda migratória tem um perfil diferente das anteriores. Não se trata de quem parte em busca de oportunidade na informalidade. São profissionais qualificados, empresários e, cada vez mais, portadores de dupla cidadania europeia que descobriram um caminho legal, acessível e ainda pouco explorado para construir vida nos EUA com segurança jurídica e planejamento familiar de longo prazo. Quem possui cidadania italiana ou portuguesa tem em mãos uma vantagem bastante concreta: o acesso ao visto E-2, destinado a investidores de países com tratado de comércio com os Estados Unidos. Portugal e Itália estão nessa lista. A diferença em relação às opções tradicionais é muito expressiva: enquanto o visto EB-5, voltado exclusivamente a estrangeiros sem dupla nacionalidade, exige aporte mínimo de US\$ 800 mil, o E-2 pode ser obtido com investimentos a partir de US\$ 100 mil, dependendo do tipo e porte do negócio. Uma diferença de oito vezes no valor, garantindo o pleno direito de viver, trabalhar e empreender legalmente no país, com possibilidade de renovação por prazo indeterminado. Por isso, o movimento de busca pela cidadania italiana e portuguesa ganhou uma camada nova e estratégica de significado. Muitas famílias brasileiras que iniciaram o processo de reconhecimento buscavam, a princípio, reconectar-se com suas raízes, reconstruir laços históricos e afetivos com a Itália ou Portugal. O que descobriram no caminho é que, ao recuperar essa herança, estavam também abrindo as portas para o futuro: o passaporte europeu que honra o passado é exatamente o mesmo que viabiliza o sonho americano. Outra via em crescimento entre os brasileiros qualificados é o EB-2 NIW (National Interest Waiver), que permite a médicos, engenheiros, pesquisadores e outros profissionais solicitar residência permanente nos EUA sem oferta de emprego, desde que comprovem contribuição de interesse nacional para o país. O brasileiro que emigra hoje não foge. Ele planeja, busca orientação jurídica especializada e escolhe, com consciência, o melhor caminho para sua família. *Juliano Fassina. Advogado especialista em dupla nacionalidade e processos imigratórios