Nos idos de 1543, a primeira e única fortificação colonial erguida na Ilha de São Vicente recebeu o nome de Nossa Senhora do Monte Serrat, santa espanhola que viria a ser a padroeira da cidade de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Braz Cubas, donatário da região geográfica que abrange toda a Baía de Santos resolveu criar uma nova povoação a partir da original situada junto ao contraforte do Morro dos Barbosas, na vila de São Vicente. O local escolhido foi junto a foz do Rio Itororó, diante do Lagamar de Enguaguassu, iniciando-se com a construção de um pequeno forte – Nossa Senhora do Monte Serrat – e a primitiva Santa Casa da Misericórdia. O forte primitivo não existe mais, pois no seu lugar foi erguida a Alfândega de Santos e suas pedras utilizadas para a construção dos primeiros metros do atual cais do Porto de Santos. As duas povoações, como sabemos, deram origem às atuais e pujantes cidades de São Vicente e Santos, as quais testemunharam, ao longo do tempo, muitos eventos históricos relacionados com um ambicioso projeto de ocupação de um território que se expandiu para muito além da Linha Mediática de Tordesilhas, tendo à sua frente alguns bandeirantes, dos quais destacamos Bartolomeu Bueno da Silva (o velho), pai de Amaro Bueno e Dino Bueno. Mais conhecido pelo apelido “Anhanguera”, Bartolomeu Bueno, merece uma citação especial pois foi um dos construtores da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande. Ele era um dos tripulantes do navio Santa Maria de Begônia, na esquadra espanhola, comandada pelo almirante Diodo Flores Valdez, que enfrentou, na embocadura do Estuário de Santos, dois navios ingleses comandados pelo almirante Eduard Fenton. As fortificações coloniais de defesa do Porto de Santos, das quais destacamos a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, Guarujá, e o Forte de São João, de Bertioga, possuem um enorme Valor Universal de Excepcionalidade (VUE), pois representam um sistema de defesa moldado, ao longo de muitos séculos, por diferentes tipos de arquitetura militar autóctone que, inegavelmente, muito contribuíram para firmar a ocupação (uti possidetis) do amplo espaço geográfico do Brasil, abrigando três dos maiores ecossistemas do mundo: a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado. Ambas, juntamente com outras 17 fortificações coloniais que permeiam o vasto perímetro do Brasil, estão indicadas para o Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por estarem inseridas no contexto histórico da formação da nossa nacionalidade. Sem qualquer preocupação com o “troar dos canhões”, atualmente as duas fortificações coloniais indicadas acima prestam excelentes serviços na área educacional, indicando aos mais jovens o valor e a importância de se preservar e admirar as centenárias muralhas de pedras, sobreviventes no amplo perímetro do Brasil, que outrora foram ocupadas por homens construtores da nossa História