(Divulgação/Isabela Carrari/Prefeitura de Santos) Nasci em 1960 e, como todos os meus colegas de Colégio Santista, tivemos uma educação um pouco mais conservadora. Meu pai falava que quem tinha razão, sempre, em primeiro lugar eram os pais, em segundo eram nossos professores. Não existia tecnologia naquela época. O leite era entregue em vasilhas de vidro com a tampa em papel alumínio na porta da nossa casa, literalmente. O automóvel era uma espécie de perua verde com os leiteiros vestidos de branco andando “pendurados” nesta, como fazem os lixeiros hoje em dia. Nossos pais contavam estórias para nós, antes de dormirmos. Lembro-me de uma que falava sobre um rebanho de carneiros que era vigiado por um cachorro, para evitar qualquer ataque de lobos. Os carneiros, para enganar o cachorro vigilante, gritavam: “É o lobo, é o lobo, é o lobo” e lá vinha o cão para proteger o rebanho, e não encontrava lobo algum. Fizeram isso uma, duas, três vezes para zombar da vigilância do cachorro. Na quarta vez o cachorro não atendeu ao chamado do rebanho e aí foi o dia do lobo. Moral da estória: um dia a verdade aparece. Vivemos em uma época de fake news, de mentiras contadas várias vezes tentando se transformar em verdade. Júlio César disse: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Boa parte dos nossos políticos não goza de boa reputação, “não parecem honestos”. Todos eles só pensam em reeleição no dia seguinte de eleito, sem qualquer preocupação com o Brasil. Sou pequeno empresário da indústria da construção, pai de família e nunca torço contra para qualquer governo, seja ele municipal, estadual ou federal, após a eleição destes. O caminho sempre é o diálogo, com todas estas esferas, através das respectivas representações da sociedade civil organizada do nosso setor, das quais fazemos parte (Assecob, Secovi, Sinduscon e Cbic). São as pequenas empresas que geram empregos formais diretos e outros tantos indiretos, pois a cadeia da indústria da construção começa com um prego e termina com uma lâmpada e com pagamentos de impostos aos nossos sócios, federação, estado e município. Vivemos um momento de falta de credibilidade, segurança jurídica, previsibilidade, taxa Selic em crescimento sem perspectivas de redução e um problema fiscal de gastos excessivos sem precedentes em nossa história. Executivo, Legislativo e Judiciário disputando o poder. Sem contar com o que está acontecendo fora do Brasil. Mas somos e seremos resilientes, porém, até quando? Na década de 1970 havia uma frase: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Eu resolvi amá-lo, mas quem são e quantos serão os que vão deixá-lo? *Ricardo Beschizza. Engenheiro Civil da Universidade Mackenzie