(Imagem ilustrativa/Pexels) A língua portuguesa é considerada uma das difíceis do mundo; dito por nós, inclusive. Uma mesma palavra pode ter inúmeras interpretações. Outro dia, descobri que uma delas, campeã em polissemia, é a palavra “ponto”, com mais de 80 significados diferentes, dependendo do contexto. Vamos combinar um “ponto” de encontro. Desça do “ponto” de ônibus, e lá, vamos acertar nossos “pontos”; mas antes de sair do trabalho, não se esqueça de bater o “ponto”. Eu sei que você não dá “ponto” sem nó, mas não vamos passar do “ponto” em nosso acordo. Sobre este tema, tirei dez “pontos” na prova; portanto, daremos um “ponto” final nesta questão. E, sobre esta crônica, ainda não é hora de seu “ponto” final. Faremos apenas um parágrafo. Para comentarmos sobre a “manga”. Trazida da Índia pelos portugueses, essa fruta deliciosa, doce e suculenta e muito refrescante é consumida em todo o mundo, especialmente em dias de calor. Cresci os olhos quando vi a “manga” na prateleira do mercado; ávido por aquele cheirinho de infância, esbarrei e rasguei a “manga” da camisa. Sem me importar, sentei-me no “banco” para apreciá-la com calma. Entusiasmado, saí sem pagar, o que me foi lembrado pelo vendedor. Ainda bem que estava com o cartão do “banco” no bolso. Quase perdi a “cabeça” o gerente veio me falar. Tudo bem, ele é o “cabeça” da loja, estava fazendo seu papel, e com zelo. Compreendi. Não precisou colocar minha despesa no “papel”. Apertei o passo, ainda tenho que “decorar” o meu “papel” na peça de teatro, que, por sinal, nosso grupo está fazendo, no palco, uma “decoração” belíssima. A palavra escrita também pode se tornar uma armadilha. Uma piada do meu pai ficou famosa em nossa família. Ele contava que um fazendeiro do interior mandou um filho estudar na capital. Todo mês, o filho lhe mandava um telegrama pedindo dinheiro. Nos meses de vacas gordas, ele lia o telegrama com um sorriso nos lábios: Papai, mande-me dinheiro. Que filho carinhoso!, orgulhava-se. Já, nos meses de vacas magras, lia, também em voz alta, batendo o dorso dos dedos no mesmo telegrama: Papai, mande-me dinheiro. Que filho ingrato. Isso é jeito de falar com o pai? Ruborizava. Para “nós”, é uma satisfação enorme que os leitores gostem de meus escritos. “Nós” aí, funcionou como terceira pessoa de modéstia. Mas, por incrível que pareça, “nós” também pode significar “nós”, pronome pessoal de primeira pessoa do plural, substantivo, objeto direto ou objeto indireto. “Nós” gostamos de ler crônicas e, esta, a 50 “nós” de velocidade, está me dando uns “nós” na cabeça. Mas, no “ponto” final, ele “nos” deu um presente. Ou, pelo menos, tentei. *Médico