( Divulgação/Globo ) Não é de hoje que a teledramaturgia brasileira apresenta personagens complexos como os que podemos assistir atualmente em Vale Tudo e em Dona de Mim. Heleninha Roitman, vivida por Paolla Oliveira, e Filipa, interpretada por Cláudia Abreu, representariam para o grande público apenas duas personagens dentre tantas outras não fosse um detalhe importante: uma diagnosticada como alcoolista e a outra acometida pelo transtorno bipolar surgem em cena buscando tratamento psicológico, evidenciando-se, com isso, o apelo necessário para que de alguma forma não somente se normalize esse tipo de acompanhamento, mas também que se anule de vez a percepção negativa e preconceituosa que há em se buscar ajuda profissional para o tratamento de saúde mental. É preciso sempre lembrar que o estigma que se coloca sobre a psicoterapia pode ocasionar dificuldades no acesso a um tratamento adequado e eficaz. Isso porque o preconceito provoca o isolamento, quer por vergonha, quer pelo medo de julgamento, e, em consequência, a dificuldade em procurar ajuda leva ao retardo no tratamento. Nas novelas, as cenas de sessões de terapia têm sido constantes e, mesmo que a personagem-paciente tenha uma recaída, o retorno ao tratamento psicoterápico mostra-se fundamental, inclusive com o aval do núcleo familiar, dando maior credibilidade ao processo terapêutico. Além disso, no caso de Heleninha, o filho e o marido estão sendo convidados a participarem do tratamento, trazendo para a cena a importância da participação familiar no processo de cura da personagem. Já no caso da personagem de Cláudia Abreu, a psicóloga de Filipa sugere o tratamento conjunto com um psiquiatra, fato que atenta para a importância de, em muitos casos, o trabalho ser multidisciplinar para a sua eficácia. Nos dois casos, a Psicologia vê, enfim, portas abertas para a aproximação de sua prática junto ao grande público espectador. Mais do que isso, os profissionais que abraçam a prática psicológica como ferramenta de seu trabalho enfim conseguem vislumbrar a normalização e, sobretudo, a importância que tal prática possui na promoção e manutenção da saúde mental. *André Zanatta. Professor e psicólogo clínico atuante na linha da Gestalt-Terapia