(Pixabay) Convencionamos renovar desejos a cada vez que nosso planeta inicia mais uma volta ao redor do sol. Mudar de residência? Trocar de carro? Realizar uma viagem inédita? Todos desejos legítimos que alimentamos. Mas, além do que podemos (e devemos) fazer por nós mesmos, há o que podemos (e também devemos) fazer pelo próximo. Há tanto a fazer. Não importa se não há dinheiro para doar. É possível doar algo também valioso: tempo e atenção. Existe precisa matemática na lógica divina: quanto mais ajudamos, mais somos ajudados. E se não formos ajudados é porque talvez nem precisemos. Não é melhor que assim seja? Se você está lendo esta crônica, seguramente faz parte do privilegiado grupo de pessoas que mais pode ajudar e menos precisa ser ajudado. É bom lembrar que a caridade deve ser anônima (caso contrário, é só massagem para o ego). Comece agora, comece já. E há muito mais a distribuir do que caridade com conhecidos e estranhos. Especialmente, quero encorajá-lo a se reconciliar com aqueles com quem possui alguma divergência. Se acreditar estar com inabalável razão em algum assunto mal resolvido com alguém, mesmo assim, tome a iniciativa de se reconciliar. Se tiver convicção de que isso não é justo, exercite o que está acima da justiça: seja misericordioso. Não é misericórdia que esperamos de Deus quando temos consciência de que, por justiça, não merecemos a graça? Perdoemos quem julgamos não merecer perdão; ajudemos quem julgamos não merecer ajuda; ouçamos quem julgamos não merecer falar; e estendamos a mão a quem julgamos merecer as costas. Aí está uma oportunidade de imitarmos o Criador sem sermos movidos pela arrogância: espalhando misericórdia. A luz e as bênçãos que desejamos para nós no próximo ano são apenas colheita. A plantação deve ser diária. Plante misericórdia. E comece por quem a reconciliação parece ser mais difícil, mais improvável. O telefone está bem ao lado, é só ligar. Desejo a você, caro leitor, um excelente 2025, transbordando daquilo que, genuinamente, só Deus consegue nos doar, em reconhecimento a nosso esforço individual: paz! Mudando de assunto: essa é a 100ª crônica que publico neste espaço. Compartilho a imensa alegria por essa marca, no histórico ano em que A Tribuna completa 130 anos de circulação. Não é relevante se o leitor tem afinidade ou discordância com o que escrevo, sou grato por se dispor a destinar alguns minutos de seu tempo para minhas crônicas. *Arnaldo Luis Theodosio Pezetti. Coronel da PM, advogado e escritor