(Reprodução) O título acima, extraído do poema épico Os Lusíadas (C I, 106, 1572), de Luiz de Camões, nos leva a explorar alguns aspectos históricos referentes a projeção do poder colonial português a partir do Porto de Santos, com sua Armada singrando mares “nunca dantes navegados” e prosseguindo com os Bandeirantes “por terras nunca dantes exploradas”. E tudo começou na antiga Capitania de São Vicente, logo após D. João III enviar em dezembro de 1530 uma poderosa força expedicionária composta por cinco navios, sob comando de Martim Afonso de Souza, com o título de capitão-mor de uma esquadra, que tinha por objetivo maior explorar a costa leste da América do Sul, desde a foz do Rio Amazonas até a foz da Bacia do Rio da Prata. No segundo ano de sua viagem histórica (1532), Martim Afonso de Souza optou pela Baía de São Vicente para dar início à colonização oficial do Brasil. Tais fatos muito contribuíram para o acirramento das ações dos corsários ingleses, holandeses e franceses, inimigos de Espanha, especialmente durante o longo período de união das coroas ibéricas (1580-1640). Para proteger suas novas conquistas Portugal montou um fantástico sistema defensivo colonial construído ao longo da costa leste da América do Sul. Atualmente 19 fortificações coloniais que permeiam o vasto perímetro do Brasil estão indicadas como “conjunto de bens seriados” para ascenderem ao Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. A defesa do incipiente Porto de Santos, por exemplo, teve início com a construção, em 1584, da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande - atualmente Guarujá -, e lá permanece com sua estrutura de pedras irregulares, protegida por uma fantástica cobertura em aço cos-a-cor, projetada por Lucio Costa, um dos arquitetos consagrados pelo projeto de construção de Brasília. Vale lembrar que a defesa do Porto de Santos era feita por tiros de salva replicado pelas demais fortificações, não somente alertando a população à qual tinha, inclusive, suas próprias armas e locais prévios de defesa. Os corsários e piratas sabiam, portanto, que o problema não estava nos saques das cidades que se escondiam em estuários, mas sim na saída, quando todo o sistema defensivo estaria montado, segundo planos previamente aprovados e executados pela população local, com suas armas próprias. *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia Santista de Letras e da Academia de História Militar Terrestre do Brasil