“Para você, um robô é um robô...(Eles) são uma raça mais limpa e melhor que a nossa” Isaac Asimov, no livro Eu Robô Doutor em Bioquímica, Isaac Asimov foi um produtivo e influente escritor da moderna ficção científica. Em sua obra, ajudou esta importante área da literatura a migrar do ambiente da ficção científica monstruosa e fantasmagórica para um estilo mais sério e, eventualmente, mais real. A frase em epígrafe, extraída do livro Eu Robô, foi dita pela personagem Dra. Susan Calvin, uma robopsicóloga, em uma de suas entrevistas que sustentam a trama do livro. Asimov explora, no referida obra, a transição da humanidade para um futuro no qual vamos conviver com a inteligência artificial (IA) embarcada, capaz de controlar os próprios movimentos no mundo real, manifestar percepção sensorial e cuidar de sutilezas em ações e contatos com os humanos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Alguns preferem chamar estes avanços da inteligência artificial de embodied AI (IA corporificada). O detalhe é que em alguns países este inquietante futuro já chegou. Na China, por exemplo, os robôs humanoides já andam pelas ruas de algumas cidades e fazem demonstrações apoteóticas de destreza. Os EUA e a China já não disputam só a supremacia em IA generativa, semicondutores ou acesso à IA geral, mas, agora, confrontam-se no domínio de recursos tecnológicos aplicados a avanços dos robôs humanoides. No momento sabe-se que a China está na frente em escala, custo e experiência acumulada na área dos humanoides. Evitando explorar “o mesmo pedaço da laranja”, os norte-americanos mantêm domínio e vantagens no desenvolvimento dos sistemas de IA que fazem funcionar o "cérebro" dos humanoides, enquanto os chineses avançam fortemente na fabricação de atuadores de alta performance que funcionam como "músculos" mecânicos, dão mobilidade a estas máquinas robóticas e sensibilidade no contato com humanos e objetos. Há uma expectativa latente, em todos nós, sobre o nível de autonomia e senciência destes “artefatos”. Um ser vivo ou um humanoide senciente teria a capacidade de perceber, de forma consciente, sobre sensações, emoções e estímulos do ambiente, como prazer, alegria, medo, sofrimento e dor. Embora já existam vários robôs portadores da IA corporificada, nenhum dos dois lados resolveu o problema central da autonomia e senciência dos humanoides. Do lado chinês, por exemplo, o destaque tem sido sobretudo de apresentações coreografadas. Ou seja: rotinas pré-programadas que impressionam visualmente mas não representam autonomia real. Desenvolver robôs capazes de decisões complexas em ambientes multitarefas como hospitais, residências e fábricas não estruturadas continua sendo um desafio não resolvido também pelos norte-americanos. Enquanto isto, o mercado dos robôs humanoides se expande em número de empresas fabricantes e em aplicações integradas às linhas de montagem. O periódico britânico The Economist destacou que pesquisadores da Anthropic descobriram algo parecido com um processo de pensamento interno no modelo de IA, o Claude. Embora a descoberta esteja relacionada a resultados de autonomia e senciência, isto, com certeza, ainda não é um estado de consciência, mas pode ser um passo nesta direção. Então, no futuro, a IA será consciente?