Somente no Estado de São Paulo, houve 266 casos de feminicídio em 2025, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública. Em média, uma mulher assassinada a cada 33 horas. De todas as idades. De todas as classes sociais. De todos os corpos. De todas as maneiras, cada vez mais bárbaras, cruéis e sádicas. https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n Apesar da legislação e informação contínua, há muito o agressor vem se sentindo confortável para sair do âmbito doméstico. Todo lugar é propício. Parece existir um deboche que, quanto mais a mulher se conscientiza de seus direitos, mais ela deve ser silenciada. E, quando o agressor tira sua própria vida, não pense o leitor que tenha sido remorso, porém, o acinte de quem escapou da Justiça. A violência de gênero é questão complexa. Envolve aspectos culturais e históricos, revelados tanto nas relações pessoais como profissionais, que demandam educação/informação, prevenção, combate, punição. Programas governamentais de apoio às vítimas, empenho do Judiciário. O que mais falta? Tainara foi atropelada e arrastada por um carro, teve as pernas amputadas e, após dias de sofrimento, “descansou”. Será? Porque a violência consumada não traz descanso. É uma ruptura da sociedade em várias camadas e as respostas que temos não mudam comportamentos. O fato de sermos advogadas não significa blindagem: nossa colega de profissão Camila Santos Silva, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-Piraju, foi esfaqueada em novembro de 2025 pelo ex-marido. A vice-coordenadora da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, Juliana Damasceno, foi ofendida três vezes na reunião virtual do colegiado da instituição, por aluno do centro acadêmico, um futuro advogado. A cena aconteceu na presença de professores, técnicos e alunos que participavam do encontro on-line. Em recente episódio em Porto Velho (RO), também outra colega, a professora de Direito Juliana Santiago, morreu pelas mãos de um aluno, que não aceitou sua rejeição. Na sala de aula. A facada foi certeira, no coração. Não apenas no de Juliana, mas de todas as mulheres que, ao mesmo tempo que reconhecem seus direitos, temem em não “desagradar” o companheiro já agressivo. O desafio que se impõe vai além de políticas públicas e legislação. A resposta vinda da advocacia é o Projeto OAB por Elas. Aqui, com o Núcleo OAB-Santos por Elas, os objetivos são acolher, ouvir sem reservas e orientar juridicamente. Um só coração.