(FreePik) Há circunstâncias em que apenas almejamos tê-lo por perto, ainda que seja por um breve instante. Sua paz aquieta as angústias que trazemos no peito e abranda nossos pensamentos. Pode ser a qualquer hora: de dia, à noite ou mesmo de madrugada. Se o procurarmos, ele estará pronto e disposto a nos fazer companhia. Tem hábitos noturnos. Aprecia ouvir o apito da locomotiva rompendo a quietude da madrugada em direção ao maior porto da América Latina. Veste-se de serenidade e percorre as ruas silenciosas, contemplando as janelas iluminadas e procurando alguém que necessite de um ombro amigo, de acolhimento ou de um gesto de humanidade. Em uma semana de escritório atribulado, com relatórios a serem entregues e metas a alcançar, sucedem-se reuniões acaloradas e chefias apreensivas porque os resultados não foram atingidos. A cabeça lateja. Quando respiramos fundo e nos entregamos à sua presença, ele surge, serena a mente e restaura as energias. Naquele dia de repouso que tanto aguardamos, quando decidimos ler um bom livro, lá está ele, tornando o ambiente mais sereno. Ou quando abrimos nosso material de estudo, é a sua presença que buscamos. E, como companheiro discreto, permanece ao nosso lado. Em meio ao caos moderno, com vias públicas tomadas por veículos, calçadas apinhadas de transeuntes e a poluição sonora disputando espaço com nossos pensamentos, acabamos por perdê-lo de vista. Quando nossa atenção se dispersa, ele parece se afastar. Mas basta recobrarmos o foco para que retorne com a discrição de sempre. Nem a inquietação dos grandes centros nem a pressa dos tempos atuais o impedem de atender ao chamado de quem anseia por sua presença. Mas o verdadeiro companheiro também se faz presente nas horas mais delicadas. Jamais abandona quem o chama. Não distingue aparência, raça ou condição econômica; para ele, todos são dignos das mesmas oportunidades. Nem nas noites de tempestade, quando os relâmpagos rasgam o céu escuro e os trovões ressoam ao longe, ele deixa de estar presente. Como uma luz suave que atravessa a janela, sua presença alcança qualquer lugar. No leito de um hospital, ajoelhado em uma paróquia ou entre as lágrimas vertidas na cama de um quarto escuro, ele estará lá. Onde houver um coração à sua procura, ele também estará. Nem que seja por um minuto. O silêncio estará lá, a fazer-lhe companhia. *Sergio Rezende Peres. *Formado em Logística, pós graduado em Comércio Exterior, estudante de Jornalismo, cronista e contista