[[legacy_image_337440]] Tive na minha vida a presença de inúmeras mulheres que me marcaram e que sou o que sou porque devo muito a elas. Não vou citá-las. Falar de algumas seria injustiça ao não citar todas tão fundamentais, mas quero falar hoje de uma mulher especial: Lucineya Marques de Lima Souza, a Néia. Forte, guerreira, moradora no Caminho de São Sebastião, Dique, Zona Noroeste. Néia mudou minha vida. Um dia numa reunião do Diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) que ficava em cima do Restaurante Paulista (que saudade...) sentei ao seu lado, já era vereador. Conversamos sobre nossa cidade e disse que queria começar a fazer um trabalho na Zona Noroeste. Recebi um convite dela e caminhei ao seu lado pelo Dique, saindo da divisa de São Vicente e indo até os barracos que ficam no final da Avenida Jovino de Melo. Aprendi a compreender a dignidade de cada um daqueles moradores, que não escolheram morar no mangue como caranguejos, e fincar estacas das suas palafitas no barro mau cheiroso, e que transformaram suas casas de madeira e telhas de amianto em lares. Dignos todos eles! Expulsos pela crise social, têm seus barracos em palafitas como única opção! Caminhamos algumas vezes por aqueles caminhos e pelas tábuas dos becos, juntos, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Néia me pegou pela mão e fez de mim não um espectador daquela realidade, cobrou que fosse um deles, que minha visita não fosse um passeio, mas um compromisso com os moradores daquela região. Mudou minha vida! Junto com a Jurema, assistente social que trabalhava comigo no mandato, organizamos com a Néia uma biblioteca na sede da Associação dos Moradores da Vila Gilda, criamos a Cooperativa das Costureiras, em seguida fizemos uma adaptação na sede para um consultório médico onde por mais de 10 anos passei a atender aquela comunidade. Junto com Maria do PT, Zeíres, Helena, descobrimos o Zé Virgílio e aconteceu o Arte no Dique, projeto que distribui arte e inclusão social. Com a Néia, participei de mutirão junto com os moradores construindo barraco no mangue, aprendendo como se fincam e se cruzam estacas que viram moradias fincadas na lama. No final, um churrasquinho para comemorar a casa nova. Certa feita, descendo o Morro Nova Cintra e indo para a Vila Gilda, Néia me ligou e me contou que tinha nascido seu último filho, o Marquinhos. Feliz da vida, me disse que ele tinha a síndrome de Down. Muito assustado, perguntei “e agora?”. E ela me respondeu: “e agora tudo bem, é meu filho, estou muito feliz”. Néia tem 6 filhos e pode se orgulhar de cada um deles. Silvya, Meyre, Selaine, Suzana, Tamyres e Marcos Adão. Fez de cada um deles pessoas especiais que vi crescer e que me fizeram crescer. Soube há alguns dias que a minha Néia está doente, eu em Brasília ela na Santa Casa. Pelo telefone conversamos. Compreendemos a gravidade da situação, choramos. Falamos da vida e da inevitável finitude a que estamos condenados... me chamou de Faustão! Obrigado Néia, por tudo, por sua vida que ajudou a me transformar e ser o que sou. Beijão procê!