[[legacy_image_321231]] Durante todo o ano, escrevi crônicas carregadas de indignação. Creio que, dentre as expressões de plenitude da vida, está o exercício do direito de se indignar com aquilo que violente nossa essência. Confesso que as mesmas causas que me trouxeram indignação também me levaram a uma “pequena dose de ceticismo” (aqui, uso de eufemismo em proveito próprio) diante do que esperar do futuro do país, talvez do mundo. Abordando a fé, não o ceticismo, essa crônica traz algo presente em tudo que escrevo: a defesa de minhas crenças. Aprecio ler textos que me despertem reflexão, ainda que, eventualmente, discorde das ideias. Escrevo com a pretensão de causar efeito semelhante no leitor. Mas vamos tratar de fé, Deus, Natal e Jesus. O francês Blaise Pascal possuía tantas aptidões nas ciências que pode ser simplesmente chamado de gênio. No ramo da física, foi fundamental no estudo da mecânica de fluídos. Na matemática, contribuiu para o desenvolvimento da Teoria das Probabilidades. Tratando de probabilidades, discorreu sobre Deus. Criou argumentação que ficou conhecida como Aposta de Pascal, segundo a qual há mais vantagens em se crer na existência de Deus do que em não a aceitar. Resumidamente, argumentava Pascal que, se Deus não existir, mas acreditarmos Nele, nada perderemos. Por outro lado, se Deus existir e não acreditarmos nisso, haverá consequências negativas. Então, seria oportuno que acreditássemos na Divindade. Obviamente, estamos diante de mera argumentação lógica, pois Deus saberia caso nossa fé fosse baseada em pura conveniência. Paradoxalmente, é indispensável fé para que alguém seja ateu. Há algum tempo, escrevi que é preciso muita fé para se crer que, em determinado momento da evolução, moléculas de água e de glicose aprenderam a pensar e a ter sentimentos. Creio na existência de Deus. Sei que Ele me ouve e me aponta caminhos, ainda que, invariavelmente, recuse-me a segui-los. No Natal, os cristãos celebram – ou deveriam celebrar – o nascimento de Jesus (gosto de chamá-lo de O Inequívoco). Os presentes trocados na noite de véspera de Natal não deveriam fazer com que deixássemos em segundo plano o maior presente da noite: o Aniversariante e sua mensagem. No dia 25 de dezembro (e, para mim, também no domingo de Páscoa), é tempo de se renovar as energias para trilhar o, talvez, retilíneo e, seguramente, lento caminho de evolução da alma. Nessa época, é comum serem contabilizadas, nos diversos aspectos de nossas vidas, as conquistas alcançadas no ano prestes a findar. E, em nossa caminhada espiritual, conseguimos dar, ao menos, um passo à frente? Desde o último Natal, tornamo-nos pessoas melhores? Ironicamente, a mensagem de Jesus é de compreensão absolutamente simples, mas de enorme complexidade para ser vivenciada a cada dia. Nesse Natal, desejo ao caro leitor o único presente verdadeiramente perene: a presença do Cristo em sua vida! De minha parte, seguirá um pedido especial a Nosso Senhor: que alivie o sofrimento de ucranianos, russos, palestinos, israelenses e demais povos que se encontram em guerra – vítimas impotentes diante da insanidade de alguns poucos.