[[legacy_image_321086]] Meu olhar de criança observava o presépio onde lá estavam, representados, o menino Jesus e seus pais, Maria e José. A cena fora retratada num estábulo e o recém-nascido lá, deitadinho, manso, numa manjedoura forrada de palhas. Ao redor, alguns animais e, mais atrás, três figuras ricamente adornadas, os Reis Magos. Essas nobres e ilustres personagens traziam nas mãos presentes ao recém nascido. Vi, também, no alto, uma estrela brilhante, que apontava o local, como se indicasse que ali estava alguém muito importante e divinal. As explicações da minha mãe faziam-me entender que aquela cena representava o nascimento de Jesus, ocorrido há muitos e muitos anos. O presépio era concebido em todos os natais e nos mostrava a importância do nascimento daquela criança que, segundo a crença cristã, viera ao mundo para ser o nosso Salvador. Fiquei ali, a olhar o menino e a sua ascendência. E aprendi que o Natal simboliza, para muitos, a oportunidade de lembrar-se de todos os grupos consanguíneos, tendo como exemplo essa família sagrada, símbolo de amor e de humildade. Meus devaneios inocentes levaram-me a imaginar que Jesus poderia ter nascido em qualquer família, de qualquer lugar do mundo, mas uma delas teve a missão especial de receber esse ser tão grandioso que, ao longo do tempo, nos trouxe inúmeros ensinamentos e exemplos, há mais de dois mil anos, ainda lembrados e reproduzidos por muitos de nós que acreditamos no bem, no amor, na caridade, na humildade e em tantos outros preceitos que nos conduzem pelos bons caminhos. Hoje, já adulto, relembro daquela cena do presépio, a representar a família que todos gostaríamos de ter de verdade, simples, unida e repleta de esperanças. Comparo aquele exemplo de digno parentesco com a nossa realidade, tão carente de afetividade, de união e de solidariedade. Assim, desejoso de que ocorra um milagre, elevo meu olhar em súplica para o céu e, nesses dias tão difíceis, rogo a Deus, Pai de nós todos, para que derrame sobre a humanidade a lucidez, a clarividência e a humildade, tão presentes na família do presépio, para que esse prodígio, realizado, nos torne pessoas puras, simples e capazes de vencer, com brio, quaisquer obstáculos, para que possamos trilhar, com retidão, o caminho certo, rumo ao nosso regozijo. E que esse bem-estar que iremos enfim conquistar nos seja duradouro, pleno em boas e sensatas atitudes, para que enxerguemos o Natal com a imensidão daquele olhar do menino que um dia eu fui, a imitar o doce mirar do menino na manjedoura. E, por conseguinte, percebamos que, naquele presépio, sempre esteve o sinal de que necessitamos para nunca sentir qualquer dissabor. E, finalmente, percebamos que o Natal deste ano, tão diferente e singular, nos proporcione o que de melhor precisamos ter para sermos bem-aventurados. Estejamos, sempre, de mãos unidas, para que consigamos caminhar na direção do novo ano, com a certeza de que tudo de bom irá nos acontecer a partir do raiar do primeiro dia de 2024. Por fim, que nada nos cause qualquer mal que possa se apoderar do nosso desejo de conquistarmos a ansiada vitória diante de tantas batalhas que precisaremos vencer para estarmos na plenitude do que sempre desejamos ser: puros, simples, bons de coração, fortalecidos e predispostos a superar quaisquer obstáculos.