(Divulgação) Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País possui população estimada em 213 milhões. Mas não é bem assim: a República Federativa de Pindorama perdeu 26% de sua população, num êxodo sem sair do lugar de mais de 50 milhões de pessoas que vivem em áreas sob o domínio do crime organizado, conforme estudo divulgado pela Universidade de Cambridge. A República das Facções e Milícias (RFM) já possui população superior ao que notamos em países como Argentina, Canadá, Espanha ou todos os países nórdicos juntos. De janeiro a setembro desse ano, a polícia fluminense apreendeu 593 fuzis em poder de criminosos, o que representa 40% das apreensões realizadas em todo o território nacional. Em matemática rudimentar, são quase 1.500 fuzis apreendidos na RFM. Qual arsenal permanece em poder das facções? – espero que esta crônica seja lida pela manhã, para não agitar o sono noturno do caro leitor. E criminosos detidos com fuzis continuam a ser liberados em audiências de custódia, o que testemunhamos perplexos, mas resignados em nome da poética presunção de inocência. No território da República das Facções e Milícias, tudo parece funcionar: Legislativo com pauta alinhada às necessidades dos “cidadãos”; Judiciário célere, sem previsão de intermináveis e incontáveis recursos; e Executivo não engessado pela insana burocracia. A capacidade de exercer poder paralelo ao Estado e impor suas próprias regras (editá-las e as fazer cumprir) em determinadas regiões ganhou até nomenclatura pomposa: governança criminal. É possível reverter esse quadro? Sim e não. Sim, na teoria, afinal, na queda de braços entre Pindorama e RFM, a primeira permanece com o monopólio do poder da caneta (ainda que demonstre ser inepta em utilizá-lo). E não, na medida em que o próprio presidente pindoramense, em discurso proferido há poucos dias na Indonésia, afirmou que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”. Depois de bradar de improviso a vitimização de criminosos e diante da natural repercussão negativa, o presidente se retratou. Em cenário no qual se crê que criminosos são vítimas da sociedade, inexiste vontade de se levar a segurança pública a patamar civilizatório. Com esse tipo de premissa tosca, fica fácil entender que, para inúmeros políticos, o crime organizado não traduz problema a ser enfrentado – a menos que possa atrapalhar alguma eleição. *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel PM, advogado e escritor